quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Como agir?

Estava lendo um texto que falava de um país onde os castigos físicos foram proibidos e o resultado disso na educação das crianças. Esse tipo de texto gera polêmica, de um lado quem é a favor das palmadas dizendo que tem que apanhar para ser uma pessoa de bem, do outro quem é contra falando que é possível educar sem bater. Esse tema tem mexido comigo, principalmente depois que me tornei mãe. Eu não quero bater em meu filho (e acho que ninguém quer, só bate por não ver outra alternativa), mas também não quero ser permissiva, deixar que meu filho faça tudo e não tenha limites. Então comecei a pensar em situações que normalmente as crianças apanham e a fazer analogia com situações que os adultos passam:

1.1 Seu filho está brincando de correr pela casa, você pede para ele parar, ele não obedece. Pouco depois ele bate a cabeça na quina da mesa. Como agir?
a) Dar um tapinha na mesa dizendo "Mesa boba, não faz assim com meu filho".
b) Dar um tapinha na criança dizendo "Eu te avisei para não correr! Da próxima vez vê se me obedece!"
c) Acalmar a criança e mostrar para ela que a mesa estava ali, que ela deve tomar cuidado para que não aconteça novamente

1.2 Alguém está dirigindo em alta velocidade, passa num sinal vermelho, bate o carro e se machuca. Como agir?
a) Dar um tapinha no carro dizendo "Carro bobo, por que não freou sozinho?"
b) Dar um tapa no motorista dizendo "Você sabe que não pode correr e passar no sinal vermelho! Aprendeu agora?"
c) Verificar o estado do acidentado, ajudando-o a sair do carro ou chamando atendimento. As autoridades/seguro do automóvel vão verificar quem foi o responsável que terá que arcar com o prejuízo.

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2.1 Seu filho está brincando de bola dentro de casa e você pede que ele vá brincar lá fora. Nesse instante a bola bate num copo que cai e quebra. Como agir?
a) Juntar os cacos, tirar tudo que quebra de perto e deixar a criança brincando.
b) Dar um tapa na criança e mandá-la para fora enquanto você junta os cacos.
c) Trazê-la para perto do copo, mostrar o que acontece ao brincar de bola dentro de casa. Se tiver idade, pedir que ajude a limpar a bagunça depois dar a opção de brincar de bola lá fora ou brincar de algo mais calmo dentro de casa.

2.2 Seu colega de trabalho se anima contando uma história e num gesto mais animado bate num copo que cai e quebra. Como agir?
a) Limpar a sujeira, tirar tudo que quebre de perto dele e nunca mais lhe oferecer algo em um copo de vidro.
b) Bater nesse colega dizendo que ele é um idiota desastrado.
c) Ajudá-lo a limpar a sujeira. Foi um acidente e certamente seu colega evitará que aconteça de novo.

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3.1 Você chega cansado do trabalho e se filho está brincando animado. Quando ele começa a fazer barulho de carrinho e passar com o brinquedo por cima de você sua cabeça começa a latejar. Como agir?
a) Aguentar a dor e esperar que ele resolva brincar de outra coisa.
b) Bater nele e mandá-lo para o quarto, isso não é hora de fazer bagunça!
c) Respirar fundo, tomar um remédio para a dor e sugerir uma brincadeira mais calma, talvez um jogo que você possa participar também e ele possa ter a sua atenção. Andar de bicicleta pode gastar mais as energias e assim ele vai dormir mais cedo!

3.2 Depois de uma semana agitada você resolve aproveitar o sábado de sol num parque. Senta sob uma árvore e começa a ler um livro. De repente um grupo de amigos se reúne na proximidade para um piquenique começa a conversar e rir. Como agir?
a) Ir embora, mal humorada.
b) Chamá-los para uma briga, onde já se viu fazer tanto barulho!
c) Respirar fundo e procurar nas redondezas uma sombra calma para você continuar sua leitura. O parque é público, todos tem o direito de aproveitar um dia de sol. 

Bem, penso que é óbvio que as respostas "c" são as mais adequadas. Nas situações em verde (com estranhos, colegas de trabalho, adultos), se eu tomar uma das atitudes das respostas "b" serei considerada louca, se escolher a resposta "a" passarei por boba. E por que as atitudes "a" e "b" são aceitas quando se trata de crianças? As situações são bem parecidas... Entendo que a criança precisa ver as consequências de seus atos, saber o que está acontecendo, não devo protegê-las ou jogar a culpa nos outros (situação "a"). Mas também precisam entender a situação, aprender a fazer escolhas, um tapa mostra simplesmente que não pode fazer aquilo naquela hora, o que não vai impedir de errar em outra situação. Pode até ser que a criança pare de fazer bagunça, mas por medo de errar de novo e toda criança deveria ter o direito de ter alguns momentos de bagunça.

Vejo que sempre terei opções quando se trata da educação do meu filho. Se souber manter a serenidade e pensar poderei escolher a alternativa que a longo prazo trará melhores resultados. Escolhendo a opção errada, seja ela a permissividade ou o tapa, correrei o risco de ter em casa mais um "pequeno tirano", que pode tudo ou se revolta contra tudo.

Já experimentei conversar com meu filho quando ele tem atitudes inadequadas. Sei que ele ainda entende pouco, mas é muito esperto. Aos poucos ele está desenvolvendo a noção de certo e errado, está conhecendo seus limites e percebendo o que me agrada. Peço àqueles que convivem com ele que observem isso também e, quando ele tiver uma atitude "errada", identifiquem o que a causou, principalmente se não foi sua conduta que a estimulou.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Não leia este post!

Ahá! Você está lendo! Talvez seja por curiosidade ou por teimosia. Mas se você não obedeceu a "ordem" do título do post, por que uma criança deve sempre obedecer uma ordem?

Então vou mudar um pouco minha ordem: este post é sobre educação infantil, só leia se você tiver interesse. Pode ser que muitos parem por aqui, outros ficarão ainda mais interessados, mas você teve uma escolha.

Meu filho ainda é pequeno, é o primogênito, mas estou fazendo meus ensaios em sua educação. E tenho refletido muito sobre os nãos que ele precisa ouvir. É óbvio que tenho que falar muitos não para ele, mas busco ter um tom e uma explicação para cada um deles. Percebo que há algumas categorias de não:

- Não é não. Esse é do tipo que não dá para questionar, o que não quer dizer que não precisa de explicação. Uso principalmente para coisas perigosas como mexer no fogão quente, ir em direção a uma escada, debruçar na janela. Procuro evitar esse tipo de não, que normalmente tem um tom mais ríspido, principalmente quando está acompanhado do susto. Evito com dispositivos de segurança, até por que não é bom arriscar.

- Regras da casa. Esse é resultado de muito exercício. Um exemplo desse não é não deixar brinquedos jogados pela casa. Eu gostaria que os brinquedos não estivessem jogados, meu marido também, seria bom que meu filho começasse a entender isso. Busco que esse tipo não cause estresse, sei que vai precisar de muita repetição. Também evito usar a palavra não, prefiro sugerir que a gente guarde os brinquedos juntos. Mas é um não que ele precisa ir entendendo, já que as regras não existem só na minha casa. Também deixo coisas minhas não perigosas ao alcance dele, para ele saber que há coisas que estão ao alcance dele mas que não são brinquedos. Acho isso importante para ele não sair mexendo em tudo quando vamos visitar alguém.

Escolhi fazer bagunça!

- Gostaria que você não fizesse isso. Aqui eu procuro deixar bem claro que é a minha vontade (deixar claro para mim e para ele). Eu gostaria que ele não virasse o balde com o joguinho de várias peças, que não brincasse com o brinquedo barulhento, que não batesse um brinquedo no outro. Mas isso é o que eu quero, às vezes só naquele momento. Se ele fizer não haverá dano algum, a não ser na minha paciência. Ele não é meu robozinho, não tem a obrigação de fazer o que eu quero. Se é esse o caso, procuro sugerir outra brincadeira, pode ser que dê certo. Se não dá certo o melhor é ficar na minha, sem perder a paciência. Se perder a paciência, mordo meu dedo, bato com a cabeça na parede ou me viro de qualquer jeito que não envolva ele, já que a deficiência é minha e a culpa não é dele.

- Agora não. Esse é o que eu tenho mais dificuldade. Ele pode brincar lá fora, mas não de noite ou quando está chovendo; ele pode jogar bola, mas não na hora de dormir. Aqui entra muita explicação, mas novinho do jeito que é, ainda é difícil entender. Daí tem choro, tem bico, mas ele precisa entender que não dá para fazer tudo na hora que quer. Tento fazer algumas coisas (como o jeito de dormir) numa certa rotina para facilitar seu entendimento, mas sem rigidez, observando sempre o melhor para ele. Se seu entendimento ainda não está desenvolvido é minha responsabilidade conduzi-lo e aos poucos ele deve começar a entender...

A partir do momento que deixo claro que tipo de não estou usando começo a dar liberdade de escolha para meu filho. Espero que ele seja um rapaz colaborador, que faça o que eu sugiro, mas, mais que isso, quero que ele seja capaz de decidir o que é melhor para ele. Oferecendo para ele oportunidades de escolha a todo momento espero que ele saiba fazer as melhores escolhas quando eu não estiver por perto.