segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Um tapinha (não) dói

Eu não era contra uma palmada educativa. Eu levei uns tapinhas quando era criança e não fiquei traumatizada. Eu achava que era melhor uma palmadas do que uma criança sem limites. Tudo isso no pretérito, as coisas mudam. Mas normalmente a mudança não é rápida.

Na adolescência eu saí do casulo e comecei a conhecer meus amigos. Comecei a ampliar meus horizontes e conversar com gente diferente. O assunto educação não era raro em nossas conversas, mesmo quando eu era mais nova. Não era raro e eu me interessava muito. Mesmo assim foram poucas as vezes que entramos no assunto "palmadas". Em nossas conversas sempre vi lindos exemplos e experiências, alguns falando do que viviam com seus filhos, alguns falando de exemplos que viram e anelavam aplicar. Mas nunca ouvi alguém falando "daí eu meti um tabefe naquele pirralho para ele tomar jeito" ou algo parecido. Os exemplos trazidos eram sempre positivos, normalmente resultado de muito estudo e muitas tentativas.

Foi nesse ambiente que eu fui amadurecendo. Ainda era relativamente nova e muitas vezes os exemplos que traziam serviram para que eu entendesse melhor o que os pais querem. Quantas vezes percebi amigos mais velhos complementando a educação que meus pais deram! Sei que meus pais me educaram muito bem, mas às vezes ouvir algo de outras bocas permite que a gente entenda melhor.

Mas o pensamento "uma palmadinha não tem problema" continuava em minha mente. Ele já começava a mudar, indo para um cantinho e começando a se esconder. Ele se mostrava como "só vou bater em último caso". O pensamentinho estava ficando acuado, ele não combinava com os outros pensamentos que eu estava cultivando, pensamentos de bem que se uniam para tentar fazer um mundo melhor.

Quando conheci meu marido ele deixou claro que não era a favor das palmadas. Gostei da ideia... Embora eu não fosse contra, eu também não era a favor, só achava que tinha horas que não haveria saída. Quando engravidei vi claramente que não haveria palmadas na minha família. Em mim o pensamento estava perdendo força e realmente não estava disposta a brigar por ele, muito menos colocando em risco a harmonia do meu lar. Quando o Guilherme nasceu vi que esse pensamento começou a agonizar.

O abraço mais gostoso deste mundo!

O pensamento da palmada entra em conflito com o que há de mais forte numa mãe, o amor. O Guilherme é um menino doce e inteligente (como toda criança é, mas estou relatando a minha experiência). Convivendo com essa criança encantadora eu me vi perguntando como alguém pode bater no filho. Comecei a perceber a sua compreensão se desenvolvendo, a vontade de aprender despertando e a confiança que ele tem em mim como sua perceptora. Esse pensamento já era um corpo inerte em minha mente, mas ainda não tinha decretado sua morte.

Certo dia estava lendo alguns comentários em uma página de mães numa rede social. Um delas estava com problemas com a filha, que estava querendo mandar e batendo nos outros (o que parecia ser o "terrible two") e pedia ajuda. Ao ler os comentários me assustei. A maioria recomendava a palmada como a única saída, além de ser eficaz. Mas, calma aí, será que fui só eu que percebi contradição em bater para a criança parar de bater?! E depois, nada tem uma só saída! Vi que naquela situação a palmada é a "solução" rápida, que faz a criança parar com aquele comportamento na hora ou naquele período, por medo de levar nova surra. Mas a criança não compreende onde está o errado daquele comportamento e vai repeti-lo em outra ocasião, quando levará outro tapa e quantos outros forem necessários até que consiga ver o que dispara aquele castigo tão severo. Vi que a palmada é a saída para quem não tem outros recursos, para quem não tem paciência. Só que eu sei que tenho recursos, sei que posso cultivar a paciência, sei que posso ser uma mãe cada vez melhor. E nesse instante enterrei sem dó nem piedade aquele corpo inerte que atravancava minha mente.

Depois desse dia já passei algumas situações difíceis com meu filho. Ele eventualmente tem crises de choro e não tenho a menor ideia do motivo. Um delas foi de madrugada, no meio da semana. Ele berrou por mais de uma hora. Durante a crise eu tive vontade de berrar junto, bater com a cabeça na parede ou qualquer coisa que fizesse aquilo passar. "Coincidentemente" era isso que meu filho queria fazer também, percebi que ele estava sentindo mesmo que eu. Eu não compreendia pois a situação não era comigo, ele não compreendia por que ainda não tem condições de compreender algo assim. E vi no meio do desespero surgir em mim a tolerância, algo que certamente não aconteceria se optasse por um tapa (que com certeza pioraria a situação). Tirar esse pensamento da minha mente está permitindo que eu seja melhor, que eu encontre a forma de despertar em mim as melhores virtudes, que eu faça a alquimia de transformar o mal em bem.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sacrifícios

Você já pensou quais sacrifícios está disposto a fazer? Não, a pergunta não é se está disposto a fazer sacrifício, não fazê-los não é uma opção...

Quando nos tornamos mães estamos abrindo mão de várias coisas. Começa ainda na gravidez com o seu bem-estar, com o seu corpinho de miss, com o choppinho no fim de semana. Depois sacrificamos as noites de sono, as viagens, as saídas com os amigos... Cada caso é um caso, mas todo mundo precisa sacrificar algo. Pode ser, por exemplo, que você não tenha sacrificado a saída com os amigos, que você leve seu bebê ao barzinho ou à casa dos amigos e entre a madrugada batendo papo com eles. Mas provavelmente vai sacrificar a sua disposição no dia seguinte, ou pelo menos o tempo da manhã que vai ficar dormindo enquanto seu filho fica com a babá. Pode ser que para você abrir mão de dormir até as 10h no domingo não seja nada, assim como pode ser que você queira morrer quando seu filho te chama às 6h da manhã.

Mas não é só como mães que precisamos aprender a fazer sacrifícios. Vou dar outro exemplo: digamos que você começou a engordar nos últimos anos. Algo será preciso sacrificar... Pode ser que baste cortar o açúcar do café, ou que você precise dedicar algum tempo para ir à academia. No começo o sacrifício pode ser pequeno, mas sem ele a situação pode ficar cada vez pior, aqueles poucos quilos por ano vivarão muitos depois de 10 anos. Esses muitos quilos podem acabar com a sua saúde e no final o sacrifício pode ser uma cirurgia ou mesmo uns anos a menos de vida. E isso acontece em todos os âmbitos da vida.

Um amor que fez a vontade de querer
um mundo melhor ser mais urgente.

E por que falar disso num blog sobre maternidade?

Se já é certo que teremos que abrir mão de algumas coisas, não é melhor fazer isso conscientemente? Hoje eu penso no que estou sacrificando e em prol de que? Algumas coisas não temos muita opção, como passar a noite em claro quando o filho está doente. Mas na forma de educá-lo eu posso escolher. Posso escolher dedicar um tempo ao meu filho, conversar com ele quando faz algo errado, pensar e repensar como estimular ou corrigir alguma conduta dele, refletir sobre como as minhas atitudes refletem na vida dele. Se não dedicar esse tempo a ele eu posso escolher a palmada. A princípio pode parecer que eu não estou sacrificando nada, mas qual o sacrifício que terei que fazer no futuro? Talvez intermináveis reuniões com os professores que tentam convencer meu filho que bater nos outros não é solução, talvez sacrifique o carinho que ele tem por mim, que será substituído pelo medo, talvez sacrifique sua inocência.

Entendo que os sacrifícios são pesados quando não sei o resultado que me trarão. Eu optei por sacrificar um pouco do meu tempo ocioso para pensar. Pensar em mim e como ser melhor a cada momento, pensar no meu filho e como oferecer o melhor para ele, pensar em minhas atitudes e como elas refletem no mundo de hoje e de amanhã. Eu quero um mundo melhor e cada vez mais vejo que tenho que fazer algo para que isso aconteça. E nada melhor do que começar pelo meu mundo.

E você, quais sacrifícios está disposto a fazer?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Aprendendo a ler

Para mim, aprender a ler não é simplesmente aprender a juntar letras e sílabas. Mais importante que isso é aprender a gostar de ler e acho que isso deve começar muito cedo.

O primeiro presente que comprei para o Guilherme, quando descobri que estava grávida, foi uma coleção de livros. Na caixa de brinquedos dele sempre teve livros, daqueles com abas e texturas. Foi perto de completar 1 ano de idade que ele começou a demonstrar gosto pelos livros. Ele começou a trazer os livros, sentar ao nosso lado ou no colo e mostrar o que o livro tinha de legal. Agora alguns desses livros já estão pedindo socorro, remendados ou sem algumas de suas partes. Não adianta muito dar dicas de livros para essa idade, todos tem nomes muito parecidos (hora de dormir, animais da fazenda ou coisas assim). Mas o que o Gui sempre gostou foi de descobrir as coisas atrás das abas. Para as texturas ele nunca deu muita bola.

Lendo com a titia!

No último mês (quando ele estava com 1 ano e 3 meses) ele começou a se interessar por livros com histórias. Esses livros estavam numa estante alta, ele viu e pediu que eu pegasse. Entreguei os livros para ele com supervisão, já que não gostaria que ele rasgasse esses livros, pelo menos não antes dele conhecer as histórias. Mas, para minha surpresa, ele sempre tratou os livros com cuidado. Ele senta com os livros, coloca um de um lado, outro de outro, escolhe um e me entrega para eu ler. O primeiro que ele descobriu foi O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado, sempre pede para eu ler, às vezes mais de uma vez ao dia. Deixa eu ler a história até o fim, ajuda a virar a página, aponta para os personagens, repete os sons que eu faço durante a leitura. Ele gostou tanto desse livro que um dia resolvi experimentar não entregá-lo junto com os outros. Ele virou e revirou os livros procurando por ele, então peguei o dito cujo e ele ficou todo feliz. Eventualmente ele pede para eu ler Lino ou Poesia na varanda, mas normalmente não tem paciência para deixar eu ler até o final. Esses 3 livros fazem parte da coleção Itaú de livros infantis 2012...

Os outros livros ele começou a descobrir essa semana. Primeiro ele deu mais atenção ao A decisão das decisões. Esse livro ainda tem muito texto para ele, então ele gosta de ficar apontando para os personagens e eu vou dando dicas da história, destacando uma ou outra parte. Lalina Menina foi o seguinte que ele descobriu e "leio" para ele da mesma forma. Ainda tem alguns que ele está por descobrir... Esses livros são da Coleção Ser Melhor, a coleção que comprei quando estava grávida.

Aos poucos quero ir aumentando a biblioteca do meu menino. Já tenho alguns livros em vista, mas aceito dicas. Percebo que essa vontade de ler é natural nele e quero estimulá-la ao máximo, mas sem forçar, já que essa atitude provavelmente teria o efeito contrário. Como ainda tenho um pouco de dificuldade para acertar no livro que vai chamar sua atenção decidi deixar que ele escolha o que ele quer e dedicamos a essa "brincadeira" o tempo que ele quiser. Assim como antes ele gostava das abas, agora ele está se interessando pelas ilustrações e começando a se divertir com algumas histórias. A medida que ele for se interessando por outros livros vou dando as dicas por aqui, quem sabe não ajudo outros pais a escolherem os livros para seus pequenos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pela liberdade de ser melhor

Meu filho é lindo. Não estou dizendo que ele é mais bonito do que ninguém, mas com cabelinho loiros, olhos claros e expressivos, bochecha redondinha e rosada, ele tem uma beleza que chama a atenção. Chama tanta atenção que não é raro o pessoal que cruza com ele pela rua se derreter em elogios.

O problema é que depois do tradicional "que lindo!", em geral complementam com um "esse vai dar trabalho!" ou "a mulherada que se cuide!". Um dia, cansada dessas insinuações, respondi que ele iria aprender a respeitar as mulheres. Fiquei mais pasma ainda com a resposta: "você que pensa!".

Pausa para analisar a situação. Normalmente quem faz esses comentários são as mulheres. São essas mesmas mulheres que em algum momento da vida já disseram que homem não presta, que homens são todos iguais, se é que ainda hoje não repetem isso. Então elas encontram um bebê bonitinho e já imaginam um rapaz bonito no futuro. Boas chances dele continuar atraindo olhares, mas então das mocinhas de sua idade. Mas ao invés de desejar algum bem para essa futura geração, desejar que saibam se relacionar com respeito, já sentenciam que meu filho será como todos os outros que a mulherada adora reclamar.

Será que a geração atual está com o egoísmo tão enraizado que sequer podem anelar um futuro melhor? Então essas mulheres viveram suas desilusões e querem que todas repitam o mesmo erro?

A pureza de observar a natureza

Já falei aqui da admiração que senti por uma mulher que nem conhecia quando conheci seus filhos. Entendo que uma mulher tem muita influência na formação moral de uma criança, tanto para o bem como para o mal. Se a maioria deixa que os coleguinhas ensinem seus filhos como tratar as mulheres, eu não tenho planos de fazer parte dessa maioria. Sei que há boas chances de meu filho magoar alguns corações, não importando se ele será bonito ou não. Mas se ele o fizer, quero que tenha a dignidade de fazê-lo com respeito, sabendo que o próximo coração partido poderá ser o seu. Ensinarei meu filho que com sentimentos não se brinca e espero que ele saiba preservar a pureza que hoje vejo nele da maldade que há por aí.

E depois de muito refletir sobre isso, é bom que a próxima pessoa que vier insinuar que meu filho será um "pegador" não seja você. Saiba que a resposta para seu comentário será educada, mas nada agradável.

Permitam que meu filho seja o melhor que ele pode ser, não o prendam desde cedo em esteriótipos!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

2 anos

Em que momento começa a vida? Esse é um assunto polêmico e não estou aqui para fomentar discussões. O que eu sei é que em mim uma nova vida começou há 2 anos. Há 2 anos descobri que teria um filho, que seria mãe, que teria uma nova família. Há 2 anos descobri que minha vida iria mudar, só não sabia quanto.

Tenho alguns marcos em minha vida, fatos que me fizeram crescer, amadurecer. Embora eles tenham sido importantes, nenhum deles deu a mim um novo título. Mas no dia 12/09/11 eu virei mãe! Certo, era só o começo do processo, mas apesar de não ser do tipo sensitiva, naquele momento eu já tinha certeza que em alguns meses teria um filho saudável em meus braços. Antes de engravidar eu tinha algum receio de abortos naturais, doenças genéticas, ter um filho prematuro... Depois desse dia esses receios passaram, por estranho que possa parecer. Foi nesse dia que a mente teve que entender o que o coração já sabia.

Hoje, olhando para trás, vejo que já existia em mim essa mãe em potencial. Quantas vezes eu tive que reprimir pensamentos alimentados por esse pedacinho do meu coração! Era algo que eu queria tanto que em alguns momentos tinha medo de admitir. O Guilherme chegou para iluminar uma parte de mim que permanecia oculta.

Eu e um nobre pedacinho de mim!

Sei que ainda tenho muito para conhecer em mim, muito para evoluir, mas sou extremamente grata a essa experiência de ser mãe. Ser mãe trouxe um novo frescor para meus esforços de superação.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Eu amo ser mãe!

Então você se descobre grávida pela primeira vez. É um misto de emoções... Mesmo sem saber o que vem pela frente você sabe que tem uma grande responsabilidade vindo por aí. Começa a nascer um amor novo, de um tipo que você ainda não conhecia. É algo tão novo, tão grande, tão único que às vezes assusta. Eu não gosto de dizer que é o maior amor que existe pois entendo que estaria desvalorizando todos os outros amores que tenho. Mas o amor dos pais sempre esteve em nossas vidas, o amor-amigo e de casal nós vamos experimentando aos poucos com uma conversa, uma paquera, uma amizade de infância, um namorico. O amor de mãe é enorme e é descarregado em nossas vidas em 9 meses, culminando no parto.

Acho que o amor começa ali no resultado positivo. Ainda é pequeno, ainda pode se esconder atrás das outras emoções, mas já está lá. A medida que esse amor vai crescendo muda a forma de ver o mundo. Uma das primeiras manifestações desse amor em mim foi no amor pelo meu corpo. Eu até me cuidava, mas a partir daquele momento esse cuidado passou a ser essencial. Já fazia exercícios físicos e continuei, mas agora num ritmo mais apropriado. Também passei a cuidar mais da minha alimentação. Aquilo que pode ser considerado fútil, que muitos fazem para ficar na moda, nesse momento era uma manifestação desse amor. ('Tá, eu também passei uns cremes para evitar estrias... Isso foi por mim mesmo, mas meu filho e meu marido não precisavam de uma mãe/esposa baranga só por que engravidei, hahaha.) É esse amor que vai nos transformando em mães... Quantas vezes, durante a gravidez, me perguntei se era possível ser mais mãe que o que estava sentindo. E sempre era, pelo menos até o nascimento.

Explosão de sentimentos.

O parto é um capítulo a parte. Depois de tanta espera, depois de cultivar tanto esse amor, o parto é como uma explosão de sentimentos. Amor, alegria, dor, esperança, medo, cansaço e inúmeras outras sensações dançam em você. No meio dessa bagunça está você, uma mãe recém-nascida. Quando essa mãe acolhe o filho nos braços ela também é acolhida e no olhar de reconhecimento dois seres se vêem como dois num só amor. Numa contradição sentimo-nos como uma leoa, mas ao mesmo tempo tão frágeis como o bebê em nosso colo.

Demora um tempo para mente e coração acomodarem tanta mudança. Os dias, meses que se seguem são de adaptação. Nesse período o amor ao filho é constante. Mas e o amor à mãe? Todo mundo tem uma vida antes do filho e de repente essa vida precisa crescer de forma indescritível para abarcar uma nova vida. Da vida que se tinha antes só fica o que era realmente importante e mesmo assim com alguma luta e muita colaboração.

Hoje vivo intensamente minha vida de mãe e posso afirmar que a amo. Leio com prazer textos sobre educação, alimentação, saúde buscando oferecer o melhor para meu pequeno. Se antes já me interessava por esses assuntos e dedicava boa parte de meu tempo para estudá-los, hoje comprovo o que já faz parte de mim e em que pontos preciso melhorar. Luto para manter a pessoa que construí antes do Guilherme, mas adaptando-a sempre a minha função de mãe.