segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pela liberdade de ser melhor

Meu filho é lindo. Não estou dizendo que ele é mais bonito do que ninguém, mas com cabelinho loiros, olhos claros e expressivos, bochecha redondinha e rosada, ele tem uma beleza que chama a atenção. Chama tanta atenção que não é raro o pessoal que cruza com ele pela rua se derreter em elogios.

O problema é que depois do tradicional "que lindo!", em geral complementam com um "esse vai dar trabalho!" ou "a mulherada que se cuide!". Um dia, cansada dessas insinuações, respondi que ele iria aprender a respeitar as mulheres. Fiquei mais pasma ainda com a resposta: "você que pensa!".

Pausa para analisar a situação. Normalmente quem faz esses comentários são as mulheres. São essas mesmas mulheres que em algum momento da vida já disseram que homem não presta, que homens são todos iguais, se é que ainda hoje não repetem isso. Então elas encontram um bebê bonitinho e já imaginam um rapaz bonito no futuro. Boas chances dele continuar atraindo olhares, mas então das mocinhas de sua idade. Mas ao invés de desejar algum bem para essa futura geração, desejar que saibam se relacionar com respeito, já sentenciam que meu filho será como todos os outros que a mulherada adora reclamar.

Será que a geração atual está com o egoísmo tão enraizado que sequer podem anelar um futuro melhor? Então essas mulheres viveram suas desilusões e querem que todas repitam o mesmo erro?

A pureza de observar a natureza

Já falei aqui da admiração que senti por uma mulher que nem conhecia quando conheci seus filhos. Entendo que uma mulher tem muita influência na formação moral de uma criança, tanto para o bem como para o mal. Se a maioria deixa que os coleguinhas ensinem seus filhos como tratar as mulheres, eu não tenho planos de fazer parte dessa maioria. Sei que há boas chances de meu filho magoar alguns corações, não importando se ele será bonito ou não. Mas se ele o fizer, quero que tenha a dignidade de fazê-lo com respeito, sabendo que o próximo coração partido poderá ser o seu. Ensinarei meu filho que com sentimentos não se brinca e espero que ele saiba preservar a pureza que hoje vejo nele da maldade que há por aí.

E depois de muito refletir sobre isso, é bom que a próxima pessoa que vier insinuar que meu filho será um "pegador" não seja você. Saiba que a resposta para seu comentário será educada, mas nada agradável.

Permitam que meu filho seja o melhor que ele pode ser, não o prendam desde cedo em esteriótipos!

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