Então você se descobre grávida pela primeira vez. É um misto de emoções... Mesmo sem saber o que vem pela frente você sabe que tem uma grande responsabilidade vindo por aí. Começa a nascer um amor novo, de um tipo que você ainda não conhecia. É algo tão novo, tão grande, tão único que às vezes assusta. Eu não gosto de dizer que é o maior amor que existe pois entendo que estaria desvalorizando todos os outros amores que tenho. Mas o amor dos pais sempre esteve em nossas vidas, o amor-amigo e de casal nós vamos experimentando aos poucos com uma conversa, uma paquera, uma amizade de infância, um namorico. O amor de mãe é enorme e é descarregado em nossas vidas em 9 meses, culminando no parto.
Acho que o amor começa ali no resultado positivo. Ainda é pequeno, ainda pode se esconder atrás das outras emoções, mas já está lá. A medida que esse amor vai crescendo muda a forma de ver o mundo. Uma das primeiras manifestações desse amor em mim foi no amor pelo meu corpo. Eu até me cuidava, mas a partir daquele momento esse cuidado passou a ser essencial. Já fazia exercícios físicos e continuei, mas agora num ritmo mais apropriado. Também passei a cuidar mais da minha alimentação. Aquilo que pode ser considerado fútil, que muitos fazem para ficar na moda, nesse momento era uma manifestação desse amor. ('Tá, eu também passei uns cremes para evitar estrias... Isso foi por mim mesmo, mas meu filho e meu marido não precisavam de uma mãe/esposa baranga só por que engravidei, hahaha.) É esse amor que vai nos transformando em mães... Quantas vezes, durante a gravidez, me perguntei se era possível ser mais mãe que o que estava sentindo. E sempre era, pelo menos até o nascimento.
Explosão de sentimentos.
O parto é um capítulo a parte. Depois de tanta espera, depois de cultivar tanto esse amor, o parto é como uma explosão de sentimentos. Amor, alegria, dor, esperança, medo, cansaço e inúmeras outras sensações dançam em você. No meio dessa bagunça está você, uma mãe recém-nascida. Quando essa mãe acolhe o filho nos braços ela também é acolhida e no olhar de reconhecimento dois seres se vêem como dois num só amor. Numa contradição sentimo-nos como uma leoa, mas ao mesmo tempo tão frágeis como o bebê em nosso colo.
Demora um tempo para mente e coração acomodarem tanta mudança. Os dias, meses que se seguem são de adaptação. Nesse período o amor ao filho é constante. Mas e o amor à mãe? Todo mundo tem uma vida antes do filho e de repente essa vida precisa crescer de forma indescritível para abarcar uma nova vida. Da vida que se tinha antes só fica o que era realmente importante e mesmo assim com alguma luta e muita colaboração.
Hoje vivo intensamente minha vida de mãe e posso afirmar que a amo. Leio com prazer textos sobre educação, alimentação, saúde buscando oferecer o melhor para meu pequeno. Se antes já me interessava por esses assuntos e dedicava boa parte de meu tempo para estudá-los, hoje comprovo o que já faz parte de mim e em que pontos preciso melhorar. Luto para manter a pessoa que construí antes do Guilherme, mas adaptando-a sempre a minha função de mãe.

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