quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Como agir?

Estava lendo um texto que falava de um país onde os castigos físicos foram proibidos e o resultado disso na educação das crianças. Esse tipo de texto gera polêmica, de um lado quem é a favor das palmadas dizendo que tem que apanhar para ser uma pessoa de bem, do outro quem é contra falando que é possível educar sem bater. Esse tema tem mexido comigo, principalmente depois que me tornei mãe. Eu não quero bater em meu filho (e acho que ninguém quer, só bate por não ver outra alternativa), mas também não quero ser permissiva, deixar que meu filho faça tudo e não tenha limites. Então comecei a pensar em situações que normalmente as crianças apanham e a fazer analogia com situações que os adultos passam:

1.1 Seu filho está brincando de correr pela casa, você pede para ele parar, ele não obedece. Pouco depois ele bate a cabeça na quina da mesa. Como agir?
a) Dar um tapinha na mesa dizendo "Mesa boba, não faz assim com meu filho".
b) Dar um tapinha na criança dizendo "Eu te avisei para não correr! Da próxima vez vê se me obedece!"
c) Acalmar a criança e mostrar para ela que a mesa estava ali, que ela deve tomar cuidado para que não aconteça novamente

1.2 Alguém está dirigindo em alta velocidade, passa num sinal vermelho, bate o carro e se machuca. Como agir?
a) Dar um tapinha no carro dizendo "Carro bobo, por que não freou sozinho?"
b) Dar um tapa no motorista dizendo "Você sabe que não pode correr e passar no sinal vermelho! Aprendeu agora?"
c) Verificar o estado do acidentado, ajudando-o a sair do carro ou chamando atendimento. As autoridades/seguro do automóvel vão verificar quem foi o responsável que terá que arcar com o prejuízo.

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2.1 Seu filho está brincando de bola dentro de casa e você pede que ele vá brincar lá fora. Nesse instante a bola bate num copo que cai e quebra. Como agir?
a) Juntar os cacos, tirar tudo que quebra de perto e deixar a criança brincando.
b) Dar um tapa na criança e mandá-la para fora enquanto você junta os cacos.
c) Trazê-la para perto do copo, mostrar o que acontece ao brincar de bola dentro de casa. Se tiver idade, pedir que ajude a limpar a bagunça depois dar a opção de brincar de bola lá fora ou brincar de algo mais calmo dentro de casa.

2.2 Seu colega de trabalho se anima contando uma história e num gesto mais animado bate num copo que cai e quebra. Como agir?
a) Limpar a sujeira, tirar tudo que quebre de perto dele e nunca mais lhe oferecer algo em um copo de vidro.
b) Bater nesse colega dizendo que ele é um idiota desastrado.
c) Ajudá-lo a limpar a sujeira. Foi um acidente e certamente seu colega evitará que aconteça de novo.

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3.1 Você chega cansado do trabalho e se filho está brincando animado. Quando ele começa a fazer barulho de carrinho e passar com o brinquedo por cima de você sua cabeça começa a latejar. Como agir?
a) Aguentar a dor e esperar que ele resolva brincar de outra coisa.
b) Bater nele e mandá-lo para o quarto, isso não é hora de fazer bagunça!
c) Respirar fundo, tomar um remédio para a dor e sugerir uma brincadeira mais calma, talvez um jogo que você possa participar também e ele possa ter a sua atenção. Andar de bicicleta pode gastar mais as energias e assim ele vai dormir mais cedo!

3.2 Depois de uma semana agitada você resolve aproveitar o sábado de sol num parque. Senta sob uma árvore e começa a ler um livro. De repente um grupo de amigos se reúne na proximidade para um piquenique começa a conversar e rir. Como agir?
a) Ir embora, mal humorada.
b) Chamá-los para uma briga, onde já se viu fazer tanto barulho!
c) Respirar fundo e procurar nas redondezas uma sombra calma para você continuar sua leitura. O parque é público, todos tem o direito de aproveitar um dia de sol. 

Bem, penso que é óbvio que as respostas "c" são as mais adequadas. Nas situações em verde (com estranhos, colegas de trabalho, adultos), se eu tomar uma das atitudes das respostas "b" serei considerada louca, se escolher a resposta "a" passarei por boba. E por que as atitudes "a" e "b" são aceitas quando se trata de crianças? As situações são bem parecidas... Entendo que a criança precisa ver as consequências de seus atos, saber o que está acontecendo, não devo protegê-las ou jogar a culpa nos outros (situação "a"). Mas também precisam entender a situação, aprender a fazer escolhas, um tapa mostra simplesmente que não pode fazer aquilo naquela hora, o que não vai impedir de errar em outra situação. Pode até ser que a criança pare de fazer bagunça, mas por medo de errar de novo e toda criança deveria ter o direito de ter alguns momentos de bagunça.

Vejo que sempre terei opções quando se trata da educação do meu filho. Se souber manter a serenidade e pensar poderei escolher a alternativa que a longo prazo trará melhores resultados. Escolhendo a opção errada, seja ela a permissividade ou o tapa, correrei o risco de ter em casa mais um "pequeno tirano", que pode tudo ou se revolta contra tudo.

Já experimentei conversar com meu filho quando ele tem atitudes inadequadas. Sei que ele ainda entende pouco, mas é muito esperto. Aos poucos ele está desenvolvendo a noção de certo e errado, está conhecendo seus limites e percebendo o que me agrada. Peço àqueles que convivem com ele que observem isso também e, quando ele tiver uma atitude "errada", identifiquem o que a causou, principalmente se não foi sua conduta que a estimulou.


quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Não leia este post!

Ahá! Você está lendo! Talvez seja por curiosidade ou por teimosia. Mas se você não obedeceu a "ordem" do título do post, por que uma criança deve sempre obedecer uma ordem?

Então vou mudar um pouco minha ordem: este post é sobre educação infantil, só leia se você tiver interesse. Pode ser que muitos parem por aqui, outros ficarão ainda mais interessados, mas você teve uma escolha.

Meu filho ainda é pequeno, é o primogênito, mas estou fazendo meus ensaios em sua educação. E tenho refletido muito sobre os nãos que ele precisa ouvir. É óbvio que tenho que falar muitos não para ele, mas busco ter um tom e uma explicação para cada um deles. Percebo que há algumas categorias de não:

- Não é não. Esse é do tipo que não dá para questionar, o que não quer dizer que não precisa de explicação. Uso principalmente para coisas perigosas como mexer no fogão quente, ir em direção a uma escada, debruçar na janela. Procuro evitar esse tipo de não, que normalmente tem um tom mais ríspido, principalmente quando está acompanhado do susto. Evito com dispositivos de segurança, até por que não é bom arriscar.

- Regras da casa. Esse é resultado de muito exercício. Um exemplo desse não é não deixar brinquedos jogados pela casa. Eu gostaria que os brinquedos não estivessem jogados, meu marido também, seria bom que meu filho começasse a entender isso. Busco que esse tipo não cause estresse, sei que vai precisar de muita repetição. Também evito usar a palavra não, prefiro sugerir que a gente guarde os brinquedos juntos. Mas é um não que ele precisa ir entendendo, já que as regras não existem só na minha casa. Também deixo coisas minhas não perigosas ao alcance dele, para ele saber que há coisas que estão ao alcance dele mas que não são brinquedos. Acho isso importante para ele não sair mexendo em tudo quando vamos visitar alguém.

Escolhi fazer bagunça!

- Gostaria que você não fizesse isso. Aqui eu procuro deixar bem claro que é a minha vontade (deixar claro para mim e para ele). Eu gostaria que ele não virasse o balde com o joguinho de várias peças, que não brincasse com o brinquedo barulhento, que não batesse um brinquedo no outro. Mas isso é o que eu quero, às vezes só naquele momento. Se ele fizer não haverá dano algum, a não ser na minha paciência. Ele não é meu robozinho, não tem a obrigação de fazer o que eu quero. Se é esse o caso, procuro sugerir outra brincadeira, pode ser que dê certo. Se não dá certo o melhor é ficar na minha, sem perder a paciência. Se perder a paciência, mordo meu dedo, bato com a cabeça na parede ou me viro de qualquer jeito que não envolva ele, já que a deficiência é minha e a culpa não é dele.

- Agora não. Esse é o que eu tenho mais dificuldade. Ele pode brincar lá fora, mas não de noite ou quando está chovendo; ele pode jogar bola, mas não na hora de dormir. Aqui entra muita explicação, mas novinho do jeito que é, ainda é difícil entender. Daí tem choro, tem bico, mas ele precisa entender que não dá para fazer tudo na hora que quer. Tento fazer algumas coisas (como o jeito de dormir) numa certa rotina para facilitar seu entendimento, mas sem rigidez, observando sempre o melhor para ele. Se seu entendimento ainda não está desenvolvido é minha responsabilidade conduzi-lo e aos poucos ele deve começar a entender...

A partir do momento que deixo claro que tipo de não estou usando começo a dar liberdade de escolha para meu filho. Espero que ele seja um rapaz colaborador, que faça o que eu sugiro, mas, mais que isso, quero que ele seja capaz de decidir o que é melhor para ele. Oferecendo para ele oportunidades de escolha a todo momento espero que ele saiba fazer as melhores escolhas quando eu não estiver por perto.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Um tapinha (não) dói

Eu não era contra uma palmada educativa. Eu levei uns tapinhas quando era criança e não fiquei traumatizada. Eu achava que era melhor uma palmadas do que uma criança sem limites. Tudo isso no pretérito, as coisas mudam. Mas normalmente a mudança não é rápida.

Na adolescência eu saí do casulo e comecei a conhecer meus amigos. Comecei a ampliar meus horizontes e conversar com gente diferente. O assunto educação não era raro em nossas conversas, mesmo quando eu era mais nova. Não era raro e eu me interessava muito. Mesmo assim foram poucas as vezes que entramos no assunto "palmadas". Em nossas conversas sempre vi lindos exemplos e experiências, alguns falando do que viviam com seus filhos, alguns falando de exemplos que viram e anelavam aplicar. Mas nunca ouvi alguém falando "daí eu meti um tabefe naquele pirralho para ele tomar jeito" ou algo parecido. Os exemplos trazidos eram sempre positivos, normalmente resultado de muito estudo e muitas tentativas.

Foi nesse ambiente que eu fui amadurecendo. Ainda era relativamente nova e muitas vezes os exemplos que traziam serviram para que eu entendesse melhor o que os pais querem. Quantas vezes percebi amigos mais velhos complementando a educação que meus pais deram! Sei que meus pais me educaram muito bem, mas às vezes ouvir algo de outras bocas permite que a gente entenda melhor.

Mas o pensamento "uma palmadinha não tem problema" continuava em minha mente. Ele já começava a mudar, indo para um cantinho e começando a se esconder. Ele se mostrava como "só vou bater em último caso". O pensamentinho estava ficando acuado, ele não combinava com os outros pensamentos que eu estava cultivando, pensamentos de bem que se uniam para tentar fazer um mundo melhor.

Quando conheci meu marido ele deixou claro que não era a favor das palmadas. Gostei da ideia... Embora eu não fosse contra, eu também não era a favor, só achava que tinha horas que não haveria saída. Quando engravidei vi claramente que não haveria palmadas na minha família. Em mim o pensamento estava perdendo força e realmente não estava disposta a brigar por ele, muito menos colocando em risco a harmonia do meu lar. Quando o Guilherme nasceu vi que esse pensamento começou a agonizar.

O abraço mais gostoso deste mundo!

O pensamento da palmada entra em conflito com o que há de mais forte numa mãe, o amor. O Guilherme é um menino doce e inteligente (como toda criança é, mas estou relatando a minha experiência). Convivendo com essa criança encantadora eu me vi perguntando como alguém pode bater no filho. Comecei a perceber a sua compreensão se desenvolvendo, a vontade de aprender despertando e a confiança que ele tem em mim como sua perceptora. Esse pensamento já era um corpo inerte em minha mente, mas ainda não tinha decretado sua morte.

Certo dia estava lendo alguns comentários em uma página de mães numa rede social. Um delas estava com problemas com a filha, que estava querendo mandar e batendo nos outros (o que parecia ser o "terrible two") e pedia ajuda. Ao ler os comentários me assustei. A maioria recomendava a palmada como a única saída, além de ser eficaz. Mas, calma aí, será que fui só eu que percebi contradição em bater para a criança parar de bater?! E depois, nada tem uma só saída! Vi que naquela situação a palmada é a "solução" rápida, que faz a criança parar com aquele comportamento na hora ou naquele período, por medo de levar nova surra. Mas a criança não compreende onde está o errado daquele comportamento e vai repeti-lo em outra ocasião, quando levará outro tapa e quantos outros forem necessários até que consiga ver o que dispara aquele castigo tão severo. Vi que a palmada é a saída para quem não tem outros recursos, para quem não tem paciência. Só que eu sei que tenho recursos, sei que posso cultivar a paciência, sei que posso ser uma mãe cada vez melhor. E nesse instante enterrei sem dó nem piedade aquele corpo inerte que atravancava minha mente.

Depois desse dia já passei algumas situações difíceis com meu filho. Ele eventualmente tem crises de choro e não tenho a menor ideia do motivo. Um delas foi de madrugada, no meio da semana. Ele berrou por mais de uma hora. Durante a crise eu tive vontade de berrar junto, bater com a cabeça na parede ou qualquer coisa que fizesse aquilo passar. "Coincidentemente" era isso que meu filho queria fazer também, percebi que ele estava sentindo mesmo que eu. Eu não compreendia pois a situação não era comigo, ele não compreendia por que ainda não tem condições de compreender algo assim. E vi no meio do desespero surgir em mim a tolerância, algo que certamente não aconteceria se optasse por um tapa (que com certeza pioraria a situação). Tirar esse pensamento da minha mente está permitindo que eu seja melhor, que eu encontre a forma de despertar em mim as melhores virtudes, que eu faça a alquimia de transformar o mal em bem.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Sacrifícios

Você já pensou quais sacrifícios está disposto a fazer? Não, a pergunta não é se está disposto a fazer sacrifício, não fazê-los não é uma opção...

Quando nos tornamos mães estamos abrindo mão de várias coisas. Começa ainda na gravidez com o seu bem-estar, com o seu corpinho de miss, com o choppinho no fim de semana. Depois sacrificamos as noites de sono, as viagens, as saídas com os amigos... Cada caso é um caso, mas todo mundo precisa sacrificar algo. Pode ser, por exemplo, que você não tenha sacrificado a saída com os amigos, que você leve seu bebê ao barzinho ou à casa dos amigos e entre a madrugada batendo papo com eles. Mas provavelmente vai sacrificar a sua disposição no dia seguinte, ou pelo menos o tempo da manhã que vai ficar dormindo enquanto seu filho fica com a babá. Pode ser que para você abrir mão de dormir até as 10h no domingo não seja nada, assim como pode ser que você queira morrer quando seu filho te chama às 6h da manhã.

Mas não é só como mães que precisamos aprender a fazer sacrifícios. Vou dar outro exemplo: digamos que você começou a engordar nos últimos anos. Algo será preciso sacrificar... Pode ser que baste cortar o açúcar do café, ou que você precise dedicar algum tempo para ir à academia. No começo o sacrifício pode ser pequeno, mas sem ele a situação pode ficar cada vez pior, aqueles poucos quilos por ano vivarão muitos depois de 10 anos. Esses muitos quilos podem acabar com a sua saúde e no final o sacrifício pode ser uma cirurgia ou mesmo uns anos a menos de vida. E isso acontece em todos os âmbitos da vida.

Um amor que fez a vontade de querer
um mundo melhor ser mais urgente.

E por que falar disso num blog sobre maternidade?

Se já é certo que teremos que abrir mão de algumas coisas, não é melhor fazer isso conscientemente? Hoje eu penso no que estou sacrificando e em prol de que? Algumas coisas não temos muita opção, como passar a noite em claro quando o filho está doente. Mas na forma de educá-lo eu posso escolher. Posso escolher dedicar um tempo ao meu filho, conversar com ele quando faz algo errado, pensar e repensar como estimular ou corrigir alguma conduta dele, refletir sobre como as minhas atitudes refletem na vida dele. Se não dedicar esse tempo a ele eu posso escolher a palmada. A princípio pode parecer que eu não estou sacrificando nada, mas qual o sacrifício que terei que fazer no futuro? Talvez intermináveis reuniões com os professores que tentam convencer meu filho que bater nos outros não é solução, talvez sacrifique o carinho que ele tem por mim, que será substituído pelo medo, talvez sacrifique sua inocência.

Entendo que os sacrifícios são pesados quando não sei o resultado que me trarão. Eu optei por sacrificar um pouco do meu tempo ocioso para pensar. Pensar em mim e como ser melhor a cada momento, pensar no meu filho e como oferecer o melhor para ele, pensar em minhas atitudes e como elas refletem no mundo de hoje e de amanhã. Eu quero um mundo melhor e cada vez mais vejo que tenho que fazer algo para que isso aconteça. E nada melhor do que começar pelo meu mundo.

E você, quais sacrifícios está disposto a fazer?

sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Aprendendo a ler

Para mim, aprender a ler não é simplesmente aprender a juntar letras e sílabas. Mais importante que isso é aprender a gostar de ler e acho que isso deve começar muito cedo.

O primeiro presente que comprei para o Guilherme, quando descobri que estava grávida, foi uma coleção de livros. Na caixa de brinquedos dele sempre teve livros, daqueles com abas e texturas. Foi perto de completar 1 ano de idade que ele começou a demonstrar gosto pelos livros. Ele começou a trazer os livros, sentar ao nosso lado ou no colo e mostrar o que o livro tinha de legal. Agora alguns desses livros já estão pedindo socorro, remendados ou sem algumas de suas partes. Não adianta muito dar dicas de livros para essa idade, todos tem nomes muito parecidos (hora de dormir, animais da fazenda ou coisas assim). Mas o que o Gui sempre gostou foi de descobrir as coisas atrás das abas. Para as texturas ele nunca deu muita bola.

Lendo com a titia!

No último mês (quando ele estava com 1 ano e 3 meses) ele começou a se interessar por livros com histórias. Esses livros estavam numa estante alta, ele viu e pediu que eu pegasse. Entreguei os livros para ele com supervisão, já que não gostaria que ele rasgasse esses livros, pelo menos não antes dele conhecer as histórias. Mas, para minha surpresa, ele sempre tratou os livros com cuidado. Ele senta com os livros, coloca um de um lado, outro de outro, escolhe um e me entrega para eu ler. O primeiro que ele descobriu foi O ratinho, o morango vermelho maduro e o grande urso esfomeado, sempre pede para eu ler, às vezes mais de uma vez ao dia. Deixa eu ler a história até o fim, ajuda a virar a página, aponta para os personagens, repete os sons que eu faço durante a leitura. Ele gostou tanto desse livro que um dia resolvi experimentar não entregá-lo junto com os outros. Ele virou e revirou os livros procurando por ele, então peguei o dito cujo e ele ficou todo feliz. Eventualmente ele pede para eu ler Lino ou Poesia na varanda, mas normalmente não tem paciência para deixar eu ler até o final. Esses 3 livros fazem parte da coleção Itaú de livros infantis 2012...

Os outros livros ele começou a descobrir essa semana. Primeiro ele deu mais atenção ao A decisão das decisões. Esse livro ainda tem muito texto para ele, então ele gosta de ficar apontando para os personagens e eu vou dando dicas da história, destacando uma ou outra parte. Lalina Menina foi o seguinte que ele descobriu e "leio" para ele da mesma forma. Ainda tem alguns que ele está por descobrir... Esses livros são da Coleção Ser Melhor, a coleção que comprei quando estava grávida.

Aos poucos quero ir aumentando a biblioteca do meu menino. Já tenho alguns livros em vista, mas aceito dicas. Percebo que essa vontade de ler é natural nele e quero estimulá-la ao máximo, mas sem forçar, já que essa atitude provavelmente teria o efeito contrário. Como ainda tenho um pouco de dificuldade para acertar no livro que vai chamar sua atenção decidi deixar que ele escolha o que ele quer e dedicamos a essa "brincadeira" o tempo que ele quiser. Assim como antes ele gostava das abas, agora ele está se interessando pelas ilustrações e começando a se divertir com algumas histórias. A medida que ele for se interessando por outros livros vou dando as dicas por aqui, quem sabe não ajudo outros pais a escolherem os livros para seus pequenos.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pela liberdade de ser melhor

Meu filho é lindo. Não estou dizendo que ele é mais bonito do que ninguém, mas com cabelinho loiros, olhos claros e expressivos, bochecha redondinha e rosada, ele tem uma beleza que chama a atenção. Chama tanta atenção que não é raro o pessoal que cruza com ele pela rua se derreter em elogios.

O problema é que depois do tradicional "que lindo!", em geral complementam com um "esse vai dar trabalho!" ou "a mulherada que se cuide!". Um dia, cansada dessas insinuações, respondi que ele iria aprender a respeitar as mulheres. Fiquei mais pasma ainda com a resposta: "você que pensa!".

Pausa para analisar a situação. Normalmente quem faz esses comentários são as mulheres. São essas mesmas mulheres que em algum momento da vida já disseram que homem não presta, que homens são todos iguais, se é que ainda hoje não repetem isso. Então elas encontram um bebê bonitinho e já imaginam um rapaz bonito no futuro. Boas chances dele continuar atraindo olhares, mas então das mocinhas de sua idade. Mas ao invés de desejar algum bem para essa futura geração, desejar que saibam se relacionar com respeito, já sentenciam que meu filho será como todos os outros que a mulherada adora reclamar.

Será que a geração atual está com o egoísmo tão enraizado que sequer podem anelar um futuro melhor? Então essas mulheres viveram suas desilusões e querem que todas repitam o mesmo erro?

A pureza de observar a natureza

Já falei aqui da admiração que senti por uma mulher que nem conhecia quando conheci seus filhos. Entendo que uma mulher tem muita influência na formação moral de uma criança, tanto para o bem como para o mal. Se a maioria deixa que os coleguinhas ensinem seus filhos como tratar as mulheres, eu não tenho planos de fazer parte dessa maioria. Sei que há boas chances de meu filho magoar alguns corações, não importando se ele será bonito ou não. Mas se ele o fizer, quero que tenha a dignidade de fazê-lo com respeito, sabendo que o próximo coração partido poderá ser o seu. Ensinarei meu filho que com sentimentos não se brinca e espero que ele saiba preservar a pureza que hoje vejo nele da maldade que há por aí.

E depois de muito refletir sobre isso, é bom que a próxima pessoa que vier insinuar que meu filho será um "pegador" não seja você. Saiba que a resposta para seu comentário será educada, mas nada agradável.

Permitam que meu filho seja o melhor que ele pode ser, não o prendam desde cedo em esteriótipos!

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

2 anos

Em que momento começa a vida? Esse é um assunto polêmico e não estou aqui para fomentar discussões. O que eu sei é que em mim uma nova vida começou há 2 anos. Há 2 anos descobri que teria um filho, que seria mãe, que teria uma nova família. Há 2 anos descobri que minha vida iria mudar, só não sabia quanto.

Tenho alguns marcos em minha vida, fatos que me fizeram crescer, amadurecer. Embora eles tenham sido importantes, nenhum deles deu a mim um novo título. Mas no dia 12/09/11 eu virei mãe! Certo, era só o começo do processo, mas apesar de não ser do tipo sensitiva, naquele momento eu já tinha certeza que em alguns meses teria um filho saudável em meus braços. Antes de engravidar eu tinha algum receio de abortos naturais, doenças genéticas, ter um filho prematuro... Depois desse dia esses receios passaram, por estranho que possa parecer. Foi nesse dia que a mente teve que entender o que o coração já sabia.

Hoje, olhando para trás, vejo que já existia em mim essa mãe em potencial. Quantas vezes eu tive que reprimir pensamentos alimentados por esse pedacinho do meu coração! Era algo que eu queria tanto que em alguns momentos tinha medo de admitir. O Guilherme chegou para iluminar uma parte de mim que permanecia oculta.

Eu e um nobre pedacinho de mim!

Sei que ainda tenho muito para conhecer em mim, muito para evoluir, mas sou extremamente grata a essa experiência de ser mãe. Ser mãe trouxe um novo frescor para meus esforços de superação.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Eu amo ser mãe!

Então você se descobre grávida pela primeira vez. É um misto de emoções... Mesmo sem saber o que vem pela frente você sabe que tem uma grande responsabilidade vindo por aí. Começa a nascer um amor novo, de um tipo que você ainda não conhecia. É algo tão novo, tão grande, tão único que às vezes assusta. Eu não gosto de dizer que é o maior amor que existe pois entendo que estaria desvalorizando todos os outros amores que tenho. Mas o amor dos pais sempre esteve em nossas vidas, o amor-amigo e de casal nós vamos experimentando aos poucos com uma conversa, uma paquera, uma amizade de infância, um namorico. O amor de mãe é enorme e é descarregado em nossas vidas em 9 meses, culminando no parto.

Acho que o amor começa ali no resultado positivo. Ainda é pequeno, ainda pode se esconder atrás das outras emoções, mas já está lá. A medida que esse amor vai crescendo muda a forma de ver o mundo. Uma das primeiras manifestações desse amor em mim foi no amor pelo meu corpo. Eu até me cuidava, mas a partir daquele momento esse cuidado passou a ser essencial. Já fazia exercícios físicos e continuei, mas agora num ritmo mais apropriado. Também passei a cuidar mais da minha alimentação. Aquilo que pode ser considerado fútil, que muitos fazem para ficar na moda, nesse momento era uma manifestação desse amor. ('Tá, eu também passei uns cremes para evitar estrias... Isso foi por mim mesmo, mas meu filho e meu marido não precisavam de uma mãe/esposa baranga só por que engravidei, hahaha.) É esse amor que vai nos transformando em mães... Quantas vezes, durante a gravidez, me perguntei se era possível ser mais mãe que o que estava sentindo. E sempre era, pelo menos até o nascimento.

Explosão de sentimentos.

O parto é um capítulo a parte. Depois de tanta espera, depois de cultivar tanto esse amor, o parto é como uma explosão de sentimentos. Amor, alegria, dor, esperança, medo, cansaço e inúmeras outras sensações dançam em você. No meio dessa bagunça está você, uma mãe recém-nascida. Quando essa mãe acolhe o filho nos braços ela também é acolhida e no olhar de reconhecimento dois seres se vêem como dois num só amor. Numa contradição sentimo-nos como uma leoa, mas ao mesmo tempo tão frágeis como o bebê em nosso colo.

Demora um tempo para mente e coração acomodarem tanta mudança. Os dias, meses que se seguem são de adaptação. Nesse período o amor ao filho é constante. Mas e o amor à mãe? Todo mundo tem uma vida antes do filho e de repente essa vida precisa crescer de forma indescritível para abarcar uma nova vida. Da vida que se tinha antes só fica o que era realmente importante e mesmo assim com alguma luta e muita colaboração.

Hoje vivo intensamente minha vida de mãe e posso afirmar que a amo. Leio com prazer textos sobre educação, alimentação, saúde buscando oferecer o melhor para meu pequeno. Se antes já me interessava por esses assuntos e dedicava boa parte de meu tempo para estudá-los, hoje comprovo o que já faz parte de mim e em que pontos preciso melhorar. Luto para manter a pessoa que construí antes do Guilherme, mas adaptando-a sempre a minha função de mãe.

terça-feira, 27 de agosto de 2013

A perfeição de ser mãe

O Guilherme não tem uma mãe perfeita (sério?!?). Ontem nós nos desentendemos... Ele queria algo e eu não entendi o que era. Só que o mocinho tinha acabado de acordar e achou que chorar, ou melhor, berrar era a melhor opção. Mas eu discordo dele. E mesmo que não discordasse, do jeito que ele berrava não conseguiria entender o que ele queria de jeito nenhum. Se eu me aproximava dele, ele resolvia usar sua "doce" técnica de me arranhar, o que já vem tirando minha paciência a alguns dias. O circo estava armado! Disse-lhe que desse jeito não dava, que quando ele se acalmasse conversaríamos, e passei os minutos seguintes exercitando minha paciência ao som de berros.

Estávamos sozinhos em casa, mas ao expor essa situação na internet é como se tivesse ocorrido numa praça pública. Até consigo ver os olhares e palpites: "que criança mimada!"; "coitadinho, só queria uma chupeta!" (ele não chupa chupeta); "está com fome!"; "está com sono!"; "faz essa criança parar de chorar!!!". Os palpiteiros de plantão sempre tem a solução. Mas eu acho que nenhuma solução resolve a situação em 5 minutos. Se alguém aí dedicar mais tempo que eu para conhecer e entender meu pequeno, por favor levante a mão!

Provavelmente a mãe perfeita teria atendido a criança em 10 segundos, como sempre faz, e seguiriam todos felizes para sempre. Todos, menos a criança no futuro. Boa parte da dificuldade nessa situação veio do fato do Guilherme ainda não saber falar (então, Gui, você vai facilitar sua vida se resolver falar logo), mas quem nunca passou pela situação de não ser entendido mesmo falando a mesma língua da outra pessoa? O que nós passamos acontece todo dia, toda hora, com pessoas de todas as idades.

A paz em nosso lar.

Depois que ele se acalmou a paz voltou a reinar no meu lar. Ele me mostrou o que queria, eu expliquei que dessa forma todos ficavam mais felizes. Pouco depois ele pediu outra coisa, eu disse que não entendi e ele achou outra forma de me mostrar. Enfim, ele aprendeu! Claro que ainda vou passar por situações como essa outras vezes e outras vezes eu não poderei atender o que ele quer. Para aprender mesmo é preciso exercitar. 

Sei que meu rapazinho ainda vai testar meus limites também. E quando ele vier testá-los eu vou ver se eles estão firmes. Ontem a mãe carinhosa e brincalhona teve que falar firme com ele, algumas vezes também tive que segurar aquela mãozinha que insistia em me arranhar. Eu busco ser tolerante, mas não posso ser conivente com o erro. Se hoje ele me bate e eu aceito, amanhã ele baterá no colega e receberá o troco... Melhor aprender com as palavras amorosas de uma mãe do que com o soco do colega.

Eu não sou uma mãe perfeita, mas na perfeita relação mãe-filho nós vamos aprendendo. Eu aprendo a ser mãe, ele a ser filho, nós a sermos humanos cada vez melhores.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Com licença!

Vamos voltar um pouco no tempo... A mulher fica grávida. Por um ou outro sintoma ela descobre e avisa ao pai. Nos meses seguintes ela vai fazer vários exames e consultas e o pai da criança terá que justificar ausência no trabalho cada vez que quiser acompanhá-la, normalmente acompanhada de uma cara feia do chefe, afinal não é ele que está grávido, mas tudo que ele quer é ouvir o coração do filhote batendo. Chega o tão esperado dia e mais um bebê chega o mundo! Toda a ansiedade é compensada com um serzinho que aqueles pais não sabiam que era possível amar tanto. Parece que aquela família finalmente está completa. Mas os dias seguintes são de adaptação... Ninguém nessa família sabe direito como lidar com um bebê tão pequeno, identificar o que ele precisa, como trocar a fralda, como dar banho. Penso que a história de todo bebê começa mais ou menos assim. Esse período de adaptação não é simples nem curto. Depois do parto eu fiquei 8 dias sem condições de cuidar de mim e de uma criança sozinha. E quanto tempo o pai da criança tem para se adaptar? 5 dias, os 5 dias da licença paternidade.

Baleiudinho do papai!

Há um Projeto de Lei que quer aumentar essa licença para 30 dias. Conversando com uma colega de trabalho ela disse que muito homem não quer ficar mais tempo em casa depois do nascimento do filho... Então, eu sou servidora pública. Sabe quantos meses de licença maternidade eu tenho? 4 meses. Os outros 2 meses eu só posso pedir se não estiver exercendo nenhuma função remunerada e se meu filho não estiver na creche. Ou seja, tenho direito de ter 6 meses de licença, mas eu posso escolher voltar a trabalhar antes. E veja só, eu poderia deixar meu filho numa creche e ir trabalhar em outra coisa nos 4 primeiros meses! Não quero, não quis e ainda tirei minhas férias ao final da licença para poder ficar com o meu pequeno o máximo possível, mas eu poderia escolher diferente. Pode ser que alguma mulher não veja a hora de voltar ao trabalho e quando é esse o caso, ela acaba voltando, nem que seja aos poucos. Mas ela tem o direito de estar com o filho. Por que com o pai tem que ser diferente?

Meu marido conseguiu uns dias de férias depois da licença, ficou 15 dias em casa comigo. Esses 15 dias foram essenciais para criar o vínculo do pai com o filho. Por 9 meses esse pai viu o filho como uma barriga crescendo, é depois do nascimento que cai a ficha, que se descobre que é um ser humano que entrou em nossas vidas. Foram 15 dias para descobrir como dormir mesmo acordando várias vezes durante a noite. E se foram 15 dias foi por que era esse o tempo que tínhamos! Como eu queria ter tido meu marido mais tempo comigo nesse período tão delicado... E tenho certeza que o Guilherme também queria. Tanto se fala que mãe é uma só, mas o pai também é.

Colinho bom!

Na semana que passou comemoramos o dia dos pais. Na escola do Gui também teve comemoração. As mães não participaram, mas fui buscar os dois quando acabou. A alegria deles era contagiante. O pai contava todo animado o que fizeram e o Guilherme estava com um sorriso lindo, levando o pai de lá para cá para mostrar tudo, mesmo fora da escola.

O fato é que todo vínculo precisa de tempo para ser construído. Por que o vínculo pai-filho precisa ser deixado para 2º plano? Tem que ser depois do trabalho, depois da hora-extra, quando consegue chegar em casa e o bebê ainda está acordado. Será que o homem não merece, pelo menos no início, um tempo maior para curtir seu filho?

Sou a favor da liberdade, penso que cada um sabe escolher o que é melhor para si. Sou super a favor do parto normal e da amamentação, mas se resolvessem criar uma lei que abolisse a cesárea eletiva e o leite artificial, eu seria contra. Claro que o ideal seria que toda mulher tivesse acesso a informações para não cair nas mãos de um médico que quer fazer uma cesárea por que quer viajar na data prevista para o parto ou que ganha um por fora para indicar LA, mas isso é outra história. Mas eu quero uma lei que dê a cada homem o direito de ser pai! Se ele não souber ser pai certamente vai arranjar uma reunião, entrevista, trabalho urgente para o período de licença, mas haverão aqueles que vão desfrutar cada instante, que vão descobrir a alegria de ser pai sem tanta pressão do tempo.

Eu não quero só um dia dos pais, eu quero um mês inteiro para eles. Quero que esse projeto seja aprovado como um presente para todos os pais desse país! 

Vocês concordam comigo? Então que tal ajudar a divulgar e mostrar que essa é a vontade de muitos?

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Amamentação, o capítulo final.

Está acabando a SMAM (Semana Mundial de Amamentação). Li muitos relatos sobre o tema, muitos deles falando sobre as dificuldades e falta de orientação. Coincidentemente foi justamente nessa semana que o Guilherme resolveu não querer mamar mais. Lendo os relatos senti vontade de contar a minha história, o que passei e senti durante essa tarefa tão especial.

Parece que faz tanto tempo!

A minha experiência começa ainda durante a gravidez... Muito se fala do cuidado com os seios durante a gestação para não ter problemas para amamentar, mas às vezes as orientações são contraditórias. Li que não é bom passar hidratantes na região, para não deixar a pele muito macia já que precisa estar resistente para aguentar as investidas do bebê. Essa dica não foi difícil de seguir, mas dava aquele medinho de ter estrias, o que felizmente não aconteceu. Outra coisa que li é que é bom passar bucha vegetal no bico do seio para fortalecê-lo. Só que no final da gravidez fiz um curso de pais que disse justamente o contrário, levei bronca do meu marido e parei de fazer. Se o bico do meu seio não rachou eu nunca vou saber se foi por que eu passei a bucha, por que eu parei de passar ou se é algo natural e ele não racharia mesmo. Dizem também que é bom pegar sol... Mas a casa que eu morava só tinha jardim na frente, eu trabalhava o dia todo e moro numa cidade que chove bastante. Eu tentei, mas não tive muito sucesso. Ah! E tem a questão do formato do bico do seio! O fato é que o meu mudou durante a gestação para ficar direitinho como precisava.

Então o bebê nasce. Claro que eu tinha lido e visto imagens das posições para amamentar, então achei que seria só colocá-lo no peito e estaria tudo certo. Mas como todo aprendizado, esse também não se completa só com a teoria, é preciso a prática. Fiquei dois dias tentando dar de mamar e o sr. Guilherme não mamava. Várias enfermeiras foram me ajudar, uma delas segurava o Guilherme e meio que forçava-o (só não me incomodei com isso pois ela demonstrava segurança no que fazia e dessa forma ele mamava um pouco), mas nada do Guilherme mamar. No terceiro dia apareceu uma fisioterapeuta que me orientou direitinho e como o Gui já estava recuperado do trabalho de parto, finalmente resolveu mamar de verdade. A única coisa que me incomodou é que tive que pagar pelo serviço da fisioterapeuta a parte, mesmo tendo plano de saúde...

Não é tão fácil mamar, mamãe!

Guilherme mamando, podemos ir para casa! Daí você pensa que está tudo bem, certo? Que nada, ainda tem muito dessa experiência pela frente! Nesse mesmo curso de pais me falaram para não passar cremes, sabonetes (que podem ter hidratante) ou qualquer produto nos seios. Passaram a imagem que era para tirar os seios, tomar banho e depois pegá-los de volta, hehehe. Devo dizer que essa orientação era desnecessária, já que nos primeiros dias a última coisa que se quer é passar algo nos seios que estão inchados e doloridos. Quando meu bebê finalmente descobriu como mamar, ele viu que era bom e não quis mais parar! Eu tinha bastante leite e ele gostou dessa história. Como eu tinha ele mamava, e quanto mais ele mamava, mais eu tinha. Alguns dias eu tinha a impressão que a única coisa que tinha feito era dar de mamar. Apesar de cansativo, era bom! Eu passei 9 meses alimentando-o dentro do meu ventre e era bom saber que ainda era capaz de oferecer a melhor alimentação para ele.

Acordei na cama da mamãe e do papai!

Como eu disse, era cansativo... Chegou uma hora que parti para a cama compartilhada. É, eu achava que era contra isso até esse momento. O Gui nasceu no começo do inverno e estava impossível acordar diversas vezes durante a noite, dar de mamar, voltar para a cama e quando estava começando a me esquentar para dormir de novo repetir o processo. E para quem acha que isso prejudica a vida sexual do casal, como acha que fica a vida matrimonial, em todos os aspectos, de um casal que não dorme? A vida é bem mais fácil quando se enfrenta qualquer dificuldade depois de uma boa noite de sono!

Meu filhote mamou exclusivamente no peito até os 6 meses. Ele estava forte, saudável, feliz, realmente não precisava mais que isso. Quando dei a primeira sopinha ele adorou! Adorou mas continuava adorando mamar. Como consegui 6 meses de licença maternidade mais alguns períodos de férias, consegui introduzir a alimentação sólida e continuar dando só o meu leite, sem o uso de fórmulas. Com 8 meses e meio ele começou a ir para a escolinha. No começo eu tirava meu leite num dia para mandar para a escola no dia seguinte, até por que ainda tinha muito leite. Como o estímulo à produção começou a diminuir e já conseguia passar o dia sem vazar, deixei que ele passasse o dia na escola só com o Leite Artificial, até por que o que eu mandava não era suficiente e ele já estava tomando o LA. Mas quando ele estava comigo ainda queria mamar o tempo todo. Apesar de comer bem na escolinha, alguns fins de semana ele não queria comer, queria ficar o tempo todo mamando. Além de entender que isso não é adequado (ele não deveria regredir no processo de alimentar-se), ele estava me machucando por já ter dentes. Não queria desmamá-lo, mas o ritmo precisava diminuir. 

Com pouco mais de 1 ano eu comecei a restringir um pouco a livre demanda. Ele poderia mamar quando quisesse, mas numa rotina. Depois de uns dias observando suas necessidades vi que suas principais mamadas eram no fim da tarde quando ele chegava da escola e de manhã bem cedinho. Ele ainda queria mamar de madrugada e eu precisava tirar esse hábito dele. Como ele não aceitava água, comecei a prepara o LA bem fraquinho, com bem menos pó do que indica a embalagem. Também fiquei atenta para ser bem carinhosa com ele, para que ele percebesse que o momento da amamentação não era o único momento só nosso. Num processo paralelo, comecei a tirá-lo de nossa cama. Quando mudamos de casa (quando ele tinha 10 meses) colocamos uma cama no seu quarto. Encostei a cama no berço e adormecia com meu marido na nossa cama. Na maioria das noites ele começava no berço dele, acordava querendo mamar e ia para a cama do quarto dele, onde acabávamos dormindo juntos. Algumas noites ele aceitava o leitinho fraco, outras queria o peito mesmo. E quando parecia que esse processo não teria mais fim as noites no berço começaram a ficar mais longas! No início dessa semana, na qual ele está completando 1 ano e 3 meses, ele começou a dormir a noite toda! Ainda acorda um pouco cedo, normalmente perto de 5h, mama e dorme mais um pouco, mas já estou podendo dormir 6h ininterruptas! Um dia desses ele acordou 6h45 depois de ter dado a última resmungada às 23h (foi dormir lá por 20h).

Já sou um menino grande!

Nos últimos dois dias ele não quis mais mamar no peito. Ainda vem, se aconchega em mim, mas não quer mais mamar. E eu estou bem com isso! Estava disposta a dar de mamar até 2 anos ou mais, mas queria muito que ele escolhesse a hora de parar. Eu tinha certeza que ele precisava do meu leite até os 6 meses e não gostaria de ter dado nada artificial para ele até esse período. Depois disso cada dia foi um lucro... Ouvi muita gente falando que a criança parou de mamar no peito com 9, 10 meses, naturalmente. Sei que o Gui não parou de mamar por causa da mamadeira, já que desde os 9 meses ele tomava na escolinha. Meu leite também não secou, mas já não fico mais com o seio inchado e dolorido. O Guilherme escolheu o momento dele.

Essa semana comprovei que tudo tem seu tempo. Li que com 1 ano a criança não deve mais mamar de madrugada, com o Guilherme foi 1 ano e 3 meses. Quero muito que o Gui olhe para mim, diga que está com sono e que está indo para o quarto dormir, mas isso vai acontecer no tempo dele! Ele engatinhou e andou no tempo "certo", mas sempre haverá uma coisa ou outra que ele fará antes ou depois da média.


terça-feira, 23 de julho de 2013

Novos Desafios

Conversando com uma amiga grávida de pouco tempo lembrei que na gravidez tudo é mais intenso: frio, calor, fome, dor... E cada vez mais comprovo que as mudanças acontecem na gravidez para aprendermos as dificuldades de ser mãe. Se agora essas sensações físicas não são mais intensas, as preocupações são.

Nesses últimos tempos aconteceram as manifestações dos 20 centavos. Se você está lendo esse post em data próxima a sua publicação, você sabe do que estou falando. Se vai ler daqui a alguns meses/anos, pode ser que não se lembre ou que essas manifestações recebam outro nome. Mas tudo começou com manifestações em SP contra o aumento de R$0,20 na tarifa do ônibus, que foi contida com uma truculenta força policial, o que provocou a revolta do Brasil inteiro que foi para as ruas reclamar de tudo que estava preso na garganta: corrupção, má qualidade da educação e da saúde, altos custo da Copa no Brasil, PECs absurdas, etc. Isso é um resumão, se quiser saber mais eu espero que essa informação conste no livros de história.

E qual a relação disso com ser mãe? Bem, é nesse mundo que vai mudar ou não que meu filho vai viver. Será que meu filho também será roubado por um governo corrupto? Será que também terá que pagar escola particular para meus netos se quiser educação de qualidade? Será que vai conseguir respirar nas grandes cidades? Será que conseguirá ter qualidade de vida em qualquer lugar que escolher viver? Eu espero realmente que essas manifestações sirvam para que haja mudança real no Brasil que vivemos, que aprendamos a pensar e votar corretamente, e escolhamos ler as informações que atingem diretamente nossa vida. Só que eu não espero que essa mudança venha dos outros. Os governantes tem sim sua responsabilidade e muita coisa para fazer, mas eu tenho a responsabilidade de preparar pelo menos um serzinho para fazer essas mudanças serem aproveitadas. E eu tenho que ser exemplo do que ensino, senão não adianta nada.

Então, será que estou ensinando os melhores valores para meu filho? É tanta coisa às quais preciso estar atenta... Quero que meu filho seja um homem digno e honrado, mas também quero que ele tenha saúde. E nesse mundo de fácil acesso às informações descobrimos muita coisa. Já reparou que quase tudo que tem a propaganda voltada para a criança é porcaria? Entenda porcaria como alimentos com baixo valor nutritivo, muito açúcar e/ou sódio. E a mente indefesa da criança recebe isso como uma maravilha, achando que o Cheetos é melhor que uma fruta. Só que não adianta ser radical... Sabe aquela história do que é proibido é mais gostoso?


Chocolate é bom!

Assim vou descobrindo que o desafio de educar é muito maior. É muito fácil se deixar levar pela massa, seja saindo numa passeata de um assunto polêmico da moda ou comendo a porcaria do momento. O difícil é pensar, principalmente se o resultado desse processo for uma ideia diferente do que a maioria faz.

Vejo que o mal está nos extremos. Não quero que o Guilherme seja um alienado nem um chato que tenta impôr ideias diferentes. Não quero que o Guilherme seja viciado em porcarias nem que seja um natureba radical. Então se você estiver comendo um chocolate e ele pedir um pedaço, pode dar, mas não ofereça se ele não pedir. Ao mesmo tempo não subestime sua inteligência dizendo que é ruim, se você está comendo deve ser bom... Se ele não puder comer diga que não é para a idade dele. Ah! E nada é por que é. Se ele perguntar alguma coisa, explique. Se não souber a resposta, diga que não sabe ou que vai procurar saber. Mas não diga que as coisas são assim e que não podem ser questionadas. A mente de meu filho é terra virgem e fértil, peço a gentileza de não jogarem sementes de ervas daninhas.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

As peripécias do Gui

Bem, se você está cansado de mãe contando as gracinhas do filho, pode parar de ler esse post por aqui.

Criança que é criança está sempre aprontando. Nem sempre é algo errado, mas sempre é uma surpresa, algo inesperado. É a forma da criança aprender, descobrir, explorar. E mãe que é mãe está sempre babando, hehehe.

Tem coisas que o Gui apronta em casa. Pelo jeito ele adora dançar e eu espero que ele não perca isso nunca. Ele ganhou um brinquedo que ele coloca uma bola na boca do brinquedo e toca uma musiquinha... O Gui coloca a bola e dança ou bate palma. Ele também dança quando cantamos para ele, outro dia ele resolveu dançar até canção de ninar. Ele adora acenar quando as pessoas vão embora e agora está aprendendo a dar beijinhos, daqueles bem babados.

Abrindo a pista de dança

Ele já está andando sozinho, mas quando alguém oferece uma mão de apoio ele joga a responsabilidade de seu equilíbrio sobre essa pessoa e se joga, sai andando/correndo como se não houvesse amanhã. Se tem alguém a sua frente chamando-o, ele calcula quantos passos precisa dar para chegar a uma distância segura e se joga para que a pessoa o pegue.

E se ele já apronta sozinho, imagine quando está com outras pessoas, principalmente crianças. Na escola diz que anda arrasando corações. Parece que ele gosta muito da Dani, ambos sempre estão juntos de lá para cá. Outro dia foram flagrados, na hora do banho de sol, com as mãos dadas e balançando. Também tem a Jenifer, que dias desses agarrou os pés do Gui e não queria que ele fosse embora. E quando não está arrasando corações aproveita para roubar chupetas, brinquedos ou mamadeiras.

No último fim de semana fomos a um casamento. Tinham algumas crianças pelo salão e o Gui foi atrás delas. Resolveu que queria fazer amizade com um determinado rapazinho que estava em uma cadeira. Tentou puxá-lo de tudo que é jeito, até que o menino apelou ao pai: "tira ele daqui!". O Gui não se abalou, saiu atrás de outras crianças e depois abriu a pista de dança.

Vem brincar comigo?

Busco ficar atenta às manifestações do Gui para identificar sua modalidade, para orientá-lo para que seja uma pessoa equilibrada, cultive virtudes e cuide para não alimentar deficiências. Pelo que vejo a simpatia é algo natural nele e acho que ele será do tipo de pessoa que está sempre cercada de amigos. Mas ao mesmo tempo que a convivência é importante entendo que a circunspecção também é. Busco ensiná-lo a brincar sozinho, criar seu mundo, esse mundinho que será um ensaio para as descobertas de sua intimidade, do que gosta e de quem é realmente.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Não se ensina a ser mãe

Sabe a música "Educação Sentimental"? Acho que todo adolescente passa por isso, querendo saber como achar o amor, conquistar amigos, ser popular. Então o tempo passa, você vira mãe (o que faz com que você não tenha mais dúvidas que entrou no universo adulto) e acha que superou isso. Só que tem coisas que continuam sem resposta, coisas que não ensinam na escola. E ser mãe é uma delas.

Devo dizer que a vida toda você tem dicas. Primeiro que já se nasce com uma noção básica, é só observar uma criança brincando de boneca. Depois temos exemplos por todos os lados, o que precisamos é saber extrair o melhor desses exemplos. Mas não existe aula, manual ou palestra que te ensine a ser mãe.

Bem, eu acho que tive um bom exemplo de mãe. Somos hoje 3 mulheres adultas, saudáveis, que convivem bem com as pessoas e que sabem tomar decisões para conduzir suas vidas. Sabe aquela história que a vida de nossos filhos nos é emprestada na infância para tomarmos conta, mas que não nos pertence? Pois é, por mais que seja delicioso ter meu filho bem protegido em meus braços, aprendi com o exemplo de minha mãe que um dia esse filho vai caminhar com as próprias pernas e ele precisa ser capaz disso. Eu já errei e ainda vou errar muito na vida, mas tenho que ser capaz de encarar esses erros, corrigi-los, observá-los para acertar numa próxima oportunidade, para crescer. E não se aprende isso se a mãe estiver sempre impedindo que se erre.

Exemplos estão em todos os lugares,
mesmo no mundo animal.

Certa vez tive a oportunidade de conhecer o irmão de um amigo meu. Eu não conhecia a família pois morávamos longe, mas quando conheci seu irmão fiquei imensamente grata à mãe deles, mesmo sem conhecê-la. Ambos eram pessoas muito especiais e pela conduta deles vi que, além da individualidade deles, havia por trás um boa educação.

Citei esses dois exemplos pois entendo que ser mãe está além dos fatos. Você pode encontrar aula/livro/palestra que ensine a dar banho, fazer dormir, alimentar ou qualquer atividade de uma mãe, mas não uma que ensine a ser mãe. Eu não sei se sou boa mãe, talvez o saiba quando meu filho for adulto, quando mostrar que tem caráter, responsabilidade, que pode fazer algo útil para a humanidade. Não se ensina a amar, cada um ama da sua forma, mas entendo que o amor verdadeiro é aquele que só faz o bem (mesmo nos momentos que não é bom).

Mamãe!

Observando como aprendo a ser mãe estou extraindo valiosos elementos para aprender a ensinar meu filho. Está claro para mim que a técnica do "faça o que eu digo, não faça o que eu faço" não dá certo. Quando realmente precisamos dos elementos a primeira recordação que vem é do exemplo, não do que disseram. Também não vale nada o estímulo falso, como dizer que a criança que não aprende matemática é muito inteligente; melhor dizer que é capaz, que com algum esforço poderá alcançar aquele conhecimento.

Um pouquinho atrasado, mas este post também é uma homenagem ao dias das mães, uma forma de agradecer aquela que me preparou a vida toda para viver os momentos especiais que vivo hoje!

Em tempo: se você é adolescente e lê esse blog, as dúvidas que conflitos que começam a surgir nessa fase acompanham a vida toda. O que aprendemos é a olhá-los com mais serenidade, como parte da vida ;).

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Aprontando!

Faz muito tempo que não escrevo... O Guilherme está enorme! Ontem ele completou 11 meses... Já não está mais tão gordinho como era antes de começar a engatinhar, mas é um rapaz alto (já tem o tamanho que a média das crianças tem com 1 ano e 2 meses)

Engatinhando

Por falar em engatinhar, meu garotinho começou a fazê-lo com 8 meses. Ele prefere andar apoiado nas coisas, mas quando não tem jeito sai explorando o mundo de 4 mesmo. Está ensaiando ficar de pé sem apoio, mas não tentou dar os primeiros passos ainda.

Apesar de não ser de muitas palavras, ele já disse a primeira: "Papai". Falou bonitinho, com todas as letras, enquanto brincava com o pai.

Como voltei a trabalhar, ele está indo para a escola. Na sala dele, ele é um dos mais velhos. Nessa idade poucos meses fazem muita diferença e diz que ele está aprontando bastante. A última dele é roubar a chupeta dos coleguinhas que ainda ficam no bebê conforto! Ele nunca aceitou chupeta, então ele simplesmente joga a chupeta longe. Figurinha!

10 meses

Bem, e eu sigo na minha experiência de ser mãe. Nunca ouvi ninguém dizer que é fácil, mas é extremamente gratificante! Entendo que não dá para quantificar o amor, nem mesmo comparar. Mas ser mãe deve ser a forma mais intensa de amar. É um amor que nasce de forma tão natural que não dá para duvidar de sua existência. E esse amor se põe a prova em diversos momentos, especialmente nos mais difíceis. Quando se "acorda" (se é que dormiu) pela milésima vez na madrugada, exausta com seu filho chorando, você percebe que é o amor que nos faz humanos. E por mais cansada que se esteja, é esse amor que te faz ficar em pé, pois há um serzinho que depende de você. E esse amor não se demonstra com artifícios, mas da maneira mais pura, seja com um sorriso, um "beijo" babado ou um abraço.

Baleiudinho do Papai!

Zoiudinho da Mamãe!

Essa experiência tem me ensinado muito o que é ser exemplo. Vejo claramente que ele tem aprendido comigo o que tem graça quando começa a rir comigo durante uma brincadeira. Acho lindo quando vejo-o tentando imitar alguma careta que faço. Mas o que mais faço, muitas vezes inconscientemente, que ele vai reproduzir? O que estou passando de herança para meu pequenino?

Sei que ver o Guilherme me faz ver que a vida vale a pena, que o caminho que segui até aqui me levou a ter essa família linda, que certamente ainda me trará muitos desafios e oportunidades!