Vamos voltar um pouco no tempo... A mulher fica grávida. Por um ou outro sintoma ela descobre e avisa ao pai. Nos meses seguintes ela vai fazer vários exames e consultas e o pai da criança terá que justificar ausência no trabalho cada vez que quiser acompanhá-la, normalmente acompanhada de uma cara feia do chefe, afinal não é ele que está grávido, mas tudo que ele quer é ouvir o coração do filhote batendo. Chega o tão esperado dia e mais um bebê chega o mundo! Toda a ansiedade é compensada com um serzinho que aqueles pais não sabiam que era possível amar tanto. Parece que aquela família finalmente está completa. Mas os dias seguintes são de adaptação... Ninguém nessa família sabe direito como lidar com um bebê tão pequeno, identificar o que ele precisa, como trocar a fralda, como dar banho. Penso que a história de todo bebê começa mais ou menos assim. Esse período de adaptação não é simples nem curto. Depois do parto eu fiquei 8 dias sem condições de cuidar de mim e de uma criança sozinha. E quanto tempo o pai da criança tem para se adaptar? 5 dias, os 5 dias da licença paternidade.
Baleiudinho do papai!
Há um Projeto de Lei que quer aumentar essa licença para 30 dias. Conversando com uma colega de trabalho ela disse que muito homem não quer ficar mais tempo em casa depois do nascimento do filho... Então, eu sou servidora pública. Sabe quantos meses de licença maternidade eu tenho? 4 meses. Os outros 2 meses eu só posso pedir se não estiver exercendo nenhuma função remunerada e se meu filho não estiver na creche. Ou seja, tenho direito de ter 6 meses de licença, mas eu posso escolher voltar a trabalhar antes. E veja só, eu poderia deixar meu filho numa creche e ir trabalhar em outra coisa nos 4 primeiros meses! Não quero, não quis e ainda tirei minhas férias ao final da licença para poder ficar com o meu pequeno o máximo possível, mas eu poderia escolher diferente. Pode ser que alguma mulher não veja a hora de voltar ao trabalho e quando é esse o caso, ela acaba voltando, nem que seja aos poucos. Mas ela tem o direito de estar com o filho. Por que com o pai tem que ser diferente?
Meu marido conseguiu uns dias de férias depois da licença, ficou 15 dias em casa comigo. Esses 15 dias foram essenciais para criar o vínculo do pai com o filho. Por 9 meses esse pai viu o filho como uma barriga crescendo, é depois do nascimento que cai a ficha, que se descobre que é um ser humano que entrou em nossas vidas. Foram 15 dias para descobrir como dormir mesmo acordando várias vezes durante a noite. E se foram 15 dias foi por que era esse o tempo que tínhamos! Como eu queria ter tido meu marido mais tempo comigo nesse período tão delicado... E tenho certeza que o Guilherme também queria. Tanto se fala que mãe é uma só, mas o pai também é.
Colinho bom!
Na semana que passou comemoramos o dia dos pais. Na escola do Gui também teve comemoração. As mães não participaram, mas fui buscar os dois quando acabou. A alegria deles era contagiante. O pai contava todo animado o que fizeram e o Guilherme estava com um sorriso lindo, levando o pai de lá para cá para mostrar tudo, mesmo fora da escola.
O fato é que todo vínculo precisa de tempo para ser construído. Por que o vínculo pai-filho precisa ser deixado para 2º plano? Tem que ser depois do trabalho, depois da hora-extra, quando consegue chegar em casa e o bebê ainda está acordado. Será que o homem não merece, pelo menos no início, um tempo maior para curtir seu filho?
Sou a favor da liberdade, penso que cada um sabe escolher o que é melhor para si. Sou super a favor do parto normal e da amamentação, mas se resolvessem criar uma lei que abolisse a cesárea eletiva e o leite artificial, eu seria contra. Claro que o ideal seria que toda mulher tivesse acesso a informações para não cair nas mãos de um médico que quer fazer uma cesárea por que quer viajar na data prevista para o parto ou que ganha um por fora para indicar LA, mas isso é outra história. Mas eu quero uma lei que dê a cada homem o direito de ser pai! Se ele não souber ser pai certamente vai arranjar uma reunião, entrevista, trabalho urgente para o período de licença, mas haverão aqueles que vão desfrutar cada instante, que vão descobrir a alegria de ser pai sem tanta pressão do tempo.
Eu não quero só um dia dos pais, eu quero um mês inteiro para eles. Quero que esse projeto seja aprovado como um presente para todos os pais desse país!
Vocês concordam comigo? Então que tal ajudar a divulgar e mostrar que essa é a vontade de muitos?

Nenhum comentário:
Postar um comentário