quinta-feira, 26 de abril de 2012

Tic Tac

Tic tac tic tac tic tac...

Era esse o som que apavorava o Capitão Gancho, não era? Uma imagem simbólica daquele para quem o tempo só passa, para quem o tempo só traz a velhice, um contraponto ao menino que não cresce, que aproveita a vida. Extremos: aquele que não cresce e aquele que envelhece.

Hoje o tic tac do relógio caminha para o ponto zero. A idade do meu filho é negativa e indeterminada... Menos 1 dia, 1 semana, não sei. Também é indeterminada a data que nascerão mãe, pai, avós, tias e tios. Mas como encaro esse tic tac todo?

"Tic Tac
É bonita a voz do tempo
Quando existe amor"

Há momentos que me sinto viajando no tempo... Sigo ao passado, recordando minha infância e adolescência, revivendo fatos que forjaram a pessoa que sou hoje. Ao mesmo tempo sigo para o futuro, projetando tudo que já vivi na vida de meu filho. Hoje ele está aqui dentro de mim, protegido num ambiente seguro e agradável. Há momentos que queria que ele ficasse onde está para sempre... Mas então vejo tudo que ele tem para viver, tudo que ele tem para aprender! Quisera ter o poder de protegê-lo sempre, de permitir que sua vida fosse só de alegrias. Mas isso não seria justo, já que é cada vivência que me faz crescer, seja ela triste ou alegre.

E cá estou eu, mais uma mulher esperando o momento mágico de dar a luz. E se não posso protegê-lo para sempre, quero que ele saiba encontrar sempre em meus braços o aconchego e o calor que pode lhe faltar em outros ambientes. Quero que meus braços possam abarcar toda minha família, que minha casa seja sempre um verdadeiro lar. E da minha família espero a compreensão de que sempre buscarei fazer o melhor, dar-lhes a melhor parte de mim, com todo o afeto que aprendi a cultivar.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

1 mês

Quando se descobre que se está grávida ainda tem muito tempo pela frente... Os números são grandes: 30 e tantas semanas, 7 ou 8 meses. As decisões e descobertas também são grandes, embora essas não diminuam. Mas o tempo vai passando e esses números vão ficando cada vez menores. É só uma referência, mas hoje falta cerca de 1 mês para o Guilherme nascer e em 1 semana ele já não é mais considerado prematuro.

Isso me faz lembrar as brincadeiras de criança. A contagem regressiva sempre tinha aquela forma de ser burlada: 3... 2... 1... e... JÁ! ou 3... 2... 2 e meio... (seguido do protesto geral de quem participava da brincadeira). Hoje o Guilherme que está contando pela primeira vez. Pode ser que ele resolva dar aquela enroladinha e seguirei ouvindo o "protesto" dos amigos que quase todo dia, ao me ver conectada em qualquer lugar, me perguntam quando saio de licença, assim como pode ser objetivo e aparecer por aí de repente.

No meio dessa brincadeira surgem inúmeras dúvidas. Como será o parto? Vou sentir muita dor? Estou com tudo preparado? Tudo que fiz até aqui foi o suficiente? Some a essas dúvidas o cansaço, as dores comuns nessa fase, o rebuliço hormonal... O resultado é uma variação de humor estranha, uma felicidade constante mesclada com lutas contra pensamentos pessimistas. Cada vez mais ouço as pessoas falando que estou com cara de mãe. Será que minha fisionomia está mudando devido aos pensamentos que estou cultivando? Ou será uma mudança física resultado do que meu corpo está passando?

"Nós"

Daqui a 1 mês/semana eu deixarei de ser nós e surgirão novos "eus". Serei eu mamãe e um eu Guilherme. Juntinho a nós também teremos um eu papai... "Eus" que já existem em potencial, talvez desde sempre, mas que o tempo transformou para chegarmos juntos a esse momento. E nesse universo de eus seremos nós-família, experimentando a nossa capacidade de construir juntos a felicidade.