Tic tac tic tac tic tac...
Era esse o som que apavorava o Capitão Gancho, não era? Uma imagem simbólica daquele para quem o tempo só passa, para quem o tempo só traz a velhice, um contraponto ao menino que não cresce, que aproveita a vida. Extremos: aquele que não cresce e aquele que envelhece.
Hoje o tic tac do relógio caminha para o ponto zero. A idade do meu filho é negativa e indeterminada... Menos 1 dia, 1 semana, não sei. Também é indeterminada a data que nascerão mãe, pai, avós, tias e tios. Mas como encaro esse tic tac todo?
"Tic Tac
É bonita a voz do tempo
Quando existe amor"
É bonita a voz do tempo
Quando existe amor"
Há momentos que me sinto viajando no tempo... Sigo ao passado, recordando minha infância e adolescência, revivendo fatos que forjaram a pessoa que sou hoje. Ao mesmo tempo sigo para o futuro, projetando tudo que já vivi na vida de meu filho. Hoje ele está aqui dentro de mim, protegido num ambiente seguro e agradável. Há momentos que queria que ele ficasse onde está para sempre... Mas então vejo tudo que ele tem para viver, tudo que ele tem para aprender! Quisera ter o poder de protegê-lo sempre, de permitir que sua vida fosse só de alegrias. Mas isso não seria justo, já que é cada vivência que me faz crescer, seja ela triste ou alegre.
E cá estou eu, mais uma mulher esperando o momento mágico de dar a luz. E se não posso protegê-lo para sempre, quero que ele saiba encontrar sempre em meus braços o aconchego e o calor que pode lhe faltar em outros ambientes. Quero que meus braços possam abarcar toda minha família, que minha casa seja sempre um verdadeiro lar. E da minha família espero a compreensão de que sempre buscarei fazer o melhor, dar-lhes a melhor parte de mim, com todo o afeto que aprendi a cultivar.
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