Pois é, o Guilherme será meu primeiro filho. Também não tenho sobrinhos(as), mas tenho amigas que me ajudaram a desenvolver esse lado mãe.
Sempre gostei de crianças e quando os pimpolhos começaram a aparecer na turma não era raro eu deixar de lado meus amigos para sair engatinhando atrás deles. Também sempre foi importante para mim conquistar a simpatia dos pequenos... Criança é sincera, não se compra com um sorriso só. Um doce pode até conseguir sua atenção por 5 minutos, mas busco conquistar a criança pelo que sou pois considero esse um dos melhores termômetros para saber se ainda tenho essa pureza da infância.
Tive a minha infância cercada por meninas. Eu só tenho irmãs, a minha geração na família quase só tem mulheres. Quando pensava em ser mãe, parecia natural que eu fosse mãe de uma menina. Até que apareceu na minha vida um garotinho muito especial.
Há 8 anos...
Essa foto é da viagem que começou nossa aproximação. Ele é uma das primeiras crianças de um grupo de amigos muito próximos. Nos primeiros dois anos meu contato com ele era de visitas e só. Nessa viagem começamos a nos conhecer. A princípio ele se recusava a gostar de mim, afinal, eu era a pessoa que estava roubando parte da atenção da mãe dele. Passamos alguns dias juntos e em determinado momento senti essa resistência sendo vencida quando no meio de uma brincadeira ele me abraçou. Senti seu conflito de querer me abraçar, mas o pensamento de que eu era a concorrência ainda querendo ganhar. Depois dessa viagem fui ganhando espaço na vida dele. Às vezes assumia o papel de babá e passava a noite cuidando dele. Nessas oportunidades fui descobrindo que a doçura de uma criança se mescla, num menino, com brincadeiras de luta e outras que precisam para gastar a energia. Foi ele que me ensinou a trocar fraldas, não apenas com a prática, mas me orientando quando trocava a fralda dele!
Dois anos depois a mãe dele foi chamada para trabalhar longe e ele ficou por aqui morando com o pai. Numa oportunidade tirei férias e fui levá-lo para visitar a mãe. E foi nessa oportunidade que fiz meu maior ensaio de mãe. Vi o que é viajar com uma criança de 4 anos, ter que desembarcar de um voo com ela dormindo e carregá-la no colo por um imenso corredor. Eu passava o dia todo com ele, passeando, conhecendo a cidade, brincando, enquanto a mãe trabalhava. Passávamos os dias com adultos mimando-o e no fim da viagem percebi como isso lhe afetou. Foram 10 dias que percebi que conviver com uma criança é educá-la a todo momento e aprender a cada instante.
Hoje ele já é quase um adolescente. Apesar de não convivermos mais tanto, sempre que nos encontramos sinto vibrar em mim o afeto que hoje, mais do que nunca, é alimentado pela gratidão por ele ter me ajudado tanto a me preparar para uma das funções mais importantes de uma mulher, a de ser mãe. Sei que o que vivi com ele foram apenas ensaios, mas ensaios que me dão a segurança de que posso oferecer muito para o Guilherme.

Nenhum comentário:
Postar um comentário