quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Não leia este post!

Ahá! Você está lendo! Talvez seja por curiosidade ou por teimosia. Mas se você não obedeceu a "ordem" do título do post, por que uma criança deve sempre obedecer uma ordem?

Então vou mudar um pouco minha ordem: este post é sobre educação infantil, só leia se você tiver interesse. Pode ser que muitos parem por aqui, outros ficarão ainda mais interessados, mas você teve uma escolha.

Meu filho ainda é pequeno, é o primogênito, mas estou fazendo meus ensaios em sua educação. E tenho refletido muito sobre os nãos que ele precisa ouvir. É óbvio que tenho que falar muitos não para ele, mas busco ter um tom e uma explicação para cada um deles. Percebo que há algumas categorias de não:

- Não é não. Esse é do tipo que não dá para questionar, o que não quer dizer que não precisa de explicação. Uso principalmente para coisas perigosas como mexer no fogão quente, ir em direção a uma escada, debruçar na janela. Procuro evitar esse tipo de não, que normalmente tem um tom mais ríspido, principalmente quando está acompanhado do susto. Evito com dispositivos de segurança, até por que não é bom arriscar.

- Regras da casa. Esse é resultado de muito exercício. Um exemplo desse não é não deixar brinquedos jogados pela casa. Eu gostaria que os brinquedos não estivessem jogados, meu marido também, seria bom que meu filho começasse a entender isso. Busco que esse tipo não cause estresse, sei que vai precisar de muita repetição. Também evito usar a palavra não, prefiro sugerir que a gente guarde os brinquedos juntos. Mas é um não que ele precisa ir entendendo, já que as regras não existem só na minha casa. Também deixo coisas minhas não perigosas ao alcance dele, para ele saber que há coisas que estão ao alcance dele mas que não são brinquedos. Acho isso importante para ele não sair mexendo em tudo quando vamos visitar alguém.

Escolhi fazer bagunça!

- Gostaria que você não fizesse isso. Aqui eu procuro deixar bem claro que é a minha vontade (deixar claro para mim e para ele). Eu gostaria que ele não virasse o balde com o joguinho de várias peças, que não brincasse com o brinquedo barulhento, que não batesse um brinquedo no outro. Mas isso é o que eu quero, às vezes só naquele momento. Se ele fizer não haverá dano algum, a não ser na minha paciência. Ele não é meu robozinho, não tem a obrigação de fazer o que eu quero. Se é esse o caso, procuro sugerir outra brincadeira, pode ser que dê certo. Se não dá certo o melhor é ficar na minha, sem perder a paciência. Se perder a paciência, mordo meu dedo, bato com a cabeça na parede ou me viro de qualquer jeito que não envolva ele, já que a deficiência é minha e a culpa não é dele.

- Agora não. Esse é o que eu tenho mais dificuldade. Ele pode brincar lá fora, mas não de noite ou quando está chovendo; ele pode jogar bola, mas não na hora de dormir. Aqui entra muita explicação, mas novinho do jeito que é, ainda é difícil entender. Daí tem choro, tem bico, mas ele precisa entender que não dá para fazer tudo na hora que quer. Tento fazer algumas coisas (como o jeito de dormir) numa certa rotina para facilitar seu entendimento, mas sem rigidez, observando sempre o melhor para ele. Se seu entendimento ainda não está desenvolvido é minha responsabilidade conduzi-lo e aos poucos ele deve começar a entender...

A partir do momento que deixo claro que tipo de não estou usando começo a dar liberdade de escolha para meu filho. Espero que ele seja um rapaz colaborador, que faça o que eu sugiro, mas, mais que isso, quero que ele seja capaz de decidir o que é melhor para ele. Oferecendo para ele oportunidades de escolha a todo momento espero que ele saiba fazer as melhores escolhas quando eu não estiver por perto.

Um comentário:

  1. Debby, nem sabia que poderiam existir tantos tipos diferentes de não!
    O Pedro, para alguns "não", insiste, insiste e insiste....

    Num post futuro você vai ter vontade de escrever como "nao se render a insistência do filho que vai querer trocar o seu não por um sim, rs... Dá uma canseira!

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